“Eu vi minha filha morrendo.” O desabafo é de Rosana Paulo, mãe de Raylane Paulo da Silva, de 17 anos, que morreu em decorrência de meningite bacteriana no Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A morte foi confirmada nesta terça-feira (19) pela Secretaria Municipal de Saúde de Montanha, cidade onde a adolescente morava.
Segundo a pasta, Raylane deu entrada na unidade hospitalar na última sexta-feira (15), já em estado grave. Com base nos exames realizados, não houve necessidade de quimioprofilaxia — medicação indicada para prevenir a infecção em pessoas que tiveram contato próximo com o paciente — seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.
O que diz a família
De acordo com a mãe, os primeiros sintomas surgiram na quarta-feira (13), quando a adolescente começou a reclamar de fortes dores de cabeça. Rosana relata que a filha também apresentava febre, enjoo, vômitos, sensibilidade à luz e rigidez no pescoço, com rápida piora do quadro.
Ainda na quarta-feira, Raylane foi levada a uma unidade de saúde, onde recebeu medicação e foi liberada. No entanto, segundo a família, as dores persistiram, e ela retornou ao hospital na mesma noite, permanecendo em atendimento durante a madrugada entre quarta (13) e quinta-feira (14).
Na quinta-feira (14), o quadro se agravou. As dores passaram a atingir os ombros e as costas, levando a um novo retorno à unidade de saúde. Já na sexta-feira (15), Rosana afirma que questionou os médicos sobre o diagnóstico da filha. Segundo ela, a transferência para São Mateus só ocorreu após insistência da família.
Na sexta-feira, por volta das 18h, me ligaram para ir ao hospital e disseram: ‘Se despede da sua filha, converse com ela’. Eu e minha outra filha entramos na sala. Ela estava intubada. Naquele momento, eu sabia que não ia ter mais resultado positivo
Rosana Paulo - Dona de casa
Ainda na sexta-feira, Raylane foi intubada na emergência, e exames apontaram comprometimento cerebral. A família questiona a demora no diagnóstico e quer entender como a adolescente contraiu a doença.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Montanha lamentou a morte e afirmou que a paciente recebeu toda a assistência médica adequada. O município também informou que não há risco de surto relacionado ao caso e que segue monitorando doenças infectocontagiosas na região.