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Leonel Ximenes

Abram alas (e o bolso) para o bloco dos impostos no carnaval, gente!

Estudo do advogado tributarista capixaba Samir Nemer mostra  que, em média, o brasileiro paga 41% de tributos sobre os produtos mais consumidos durante a festa

Publicado em 23 de Fevereiro de 2020 às 06:00

Públicado em 

23 fev 2020 às 06:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
O peso dos impostos no carnaval Crédito: Amarildo

Carnaval é alegria, música, diversão e… impostos! A coluna não quer estragar a festa de ninguém, mas é preciso dizer: enquanto o povo brasileiro se diverte, o governo arrecada, em média 41% de tributos sobre os produtos mais consumidos nesta época do ano.

O levantamento foi, que feito pelo advogado tributarista capixaba Samir Nemer, mostra que a famosa marchinha “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí”, nunca foi tão fiel ao que está acontecendo.

“E em se tratando do carnaval, os impostos são elevados porque a regra geral é quanto mais essencial for o produto, menos tributado será. Por isso produtos considerados supérfluos ou maléficos à saúde, como cigarros e bebidas, carregam sempre mais impostos”, explica Nemer.

NA AVENIDA, AS ALAS MAIS TRIBUTADAS

Um dos itens mais consumidos nesta festa, as bebidas, são disparadas as mais tributadas: a caipirinha tradicional (cachaça e limão), por exemplo, tem 76,66% de tributos; é seguida pelo chope, 62,20%; pela lata ou garrafa de cerveja, com 55,60%; pela lata de refrigerante, com 46,47%; e a água mineral, com 37,44%.

Segundo o especialista, o ICMS e o IPI são os impostos que mais oneram os preços das bebidas, que especialmente nesta época do ano são mais vendidas. Se a caipirinha aparece no topo dos produtos com mais impostos, na ponta de baixo vem o preservativo, com “apenas” 18,75% de impostos, com a menor carga de impostos dentre os itens pesquisados, até porque voltado à saúde pública.

Aqueles foliões que não abrem mão de sair às ruas fantasiados também contribuem com os altos índices de tributos arrecadados pelo governo: uma fantasia de tecido tem carga tributária de 36,41%, máscara de plástico, 43,93%; ou confeccionada com lantejoulas, 42,71%; o apito, 34,48%; colar havaiano, 45,96%; o spray de espuma, 45,94% e o confete, 43,83%.

OS IMPOSTOS VOAM JUNTOS

Vai curtir uma viagem? Na passagem aérea estão embutidos 22,32% de impostos enquanto o preço da hospedagem fica em torno dos 29,5%. E nem a praia escapa: são 44% de impostos nos óculos de sol e 37% de impostos no guarda-sol.

O especialista lembra ainda que o sistema tributário brasileiro é altamente regressivo, pois foca em impostos sobre consumo e não sobre renda ou propriedade, trazendo maior impacto proporcional sobre os mais pobres da população.

Em resumo: a gente brinca durante quatro, mas quem se diverte de verdade são os cofre$ do governo. De qualquer forma, viva o carnaval!

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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