Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Rumo para o Brasil

Eleições 2022: onde está o debate? E as propostas?

Vemos hoje nossas lideranças dispensando tempo e energia com discussões que desviam o foco dos problemas reais do povo. A eleição é em outubro, uma ótima oportunidade para recuperarmos uma agenda realmente focada no nosso futuro

Publicado em 13 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 fev 2022 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Novas urnas eletrônicas são apresentadas
Novas urnas eletrônicas são apresentadas Crédito: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE
Estamos em ano eleitoral, um momento favorável para o país debater os seus maiores desafios e a avaliar bem o histórico de cada candidato, fazendo escolhas conscientes. O ideal seria que os políticos fossem julgados nas urnas pela real capacidade de entrega de resultados para a população, e não pela capacidade de vender promessas ou ilusões.
Um candidato a emprego normalmente apresenta o seu currículo. Os políticos deveriam também apresentar, de forma bem objetiva, o seu “currículo” de realizações, mostrando quais resultados poderá efetivamente entregar.
Uma liderança deve ser reconhecida pela coragem de tomar decisões drásticas e impopulares, mas necessárias para o próprio bem-estar de toda a sociedade.
Há oito anos, desde 2014, o Brasil opera com déficit fiscal nas contas públicas, o que mina a nossa credibilidade e contribui para a alta dos juros e da inflação. Não se equilibra as contas sem corte de despesas, especialmente se considerarmos a pesada carga tributária. Não dá mais para resolver com CPMF ou afins.
No noticiário econômico dos anos 80, época da hiperinflação, havia uma expressão recorrente: “Não se faz omelete sem quebrar os ovos”. Para cortar gastos e frear a alta de preços são necessárias medidas que vão sim “mexer no queijo” de alguns, mas para o bem de todos.
O líder político de responsabilidade deve pensar no futuro de toda a sociedade, e não no futuro de sua carreira – que será bem sucedida, se a sua gestão adotar as medidas corretas, mesmo que elas sejam amargas num primeiro momento. Político comprometido com o povo não tem medo de minorias organizadas, que usufruem de privilégios vergonhosos e impedem o avanço do país e a redução das desigualdades.
Os políticos, especialmente os chefes dos Poderes, devem ser valorizados pela idoneidade e transparência, fazendo com que o seu comportamento seja visto como um exemplo para todos.
Palavras, gestos e mensagens de lideranças públicas contribuem para inspirar a sociedade e formar a cultura de uma nação, elevando as suas referências éticas e morais.
Porém, a sensação que tenho é que preferimos votar em potenciais “salvadores da pátria”, portadores de soluções simples (e erradas) para problemas complexos, em vez de votar em quem realmente demonstra estar preparado para assumir a nobre missão de governar. Será que preferimos vendedores de ilusões?
Vejo pessoas afirmarem que não votariam em determinado candidato porque ele é “antipático”. Daí me pergunto: estariam escolhendo um(a) amigo(a) ou namorado(a)? Ou alguém com capacidade de tomar decisões importantes em busca de uma sociedade com mais oportunidades para todos?
“Ah, nesse não voto porque é paulista! Esse é nordestino! Esse é empresário! Esse é operário! Esse é policial! Esse é rico! Esse não estudou! Esse é neoliberal! Esse é comunista!”
Mas seriam esses os melhores critérios? E o debate sobre nossos reais desafios? Onde estão as propostas?? Vemos hoje nossas lideranças dispensando tempo e energia com discussões que desviam o foco dos problemas reais do povo.
“Tudo” pode ser importante, mas é preciso priorizar. Não podemos tirar da prioridade 1 o combate à fome, ao desemprego, ao caos da saúde, à educação de baixa qualidade, ao hospício tributário que mata o empreendedor. É preciso olhar para a dívida pública e a sustentabilidade ambiental.
Cadê o debate focado nesses temas? Não vejo. De outro lado vejo emoção e mobilização pela discussão da política de armas, de jogos de azar, da chamada pauta de costumes. Não tem o menor cabimento, o Brasil não suporta mais essa ausência de foco.
O Custo Brasil, que já abordamos neste espaço, representa R$ 1,5 trilhão por ano. Quem paga essa conta? No “fim do dia” é a população, e com o agravante: o mais pobre paga mais. Um absurdo!
O Brasil produz alimentos para 1 bilhão de pessoas: 1 em cada 7 pratos de comida servidos no mundo é produzido aqui. Seria motivo de orgulho, se não tivéssemos 10 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, passando fome.
Qual é a política que vamos adotar para reduzir a desigualdade, além da distribuição de auxílios e bolsas? Como vamos melhorar nossa educação, implantar efetivamente o novo ensino médio profissionalizante e gerar novas oportunidades para os brasileiros? Como vamos fazer da economia verde e da agenda da sustentabilidade uma alavanca de desenvolvimento do país? Esse é o debate que realmente importa para todos, para o povo.
Os dois principais líderes nas pesquisas atualmente, contudo, parecem estimular uma polarização movida a raiva e preconceito, que só beneficia os dois. Dificilmente avançaremos assim.
Nos anos 50, o presidente Juscelino Kubitschek deslanchou o seu Plano de Metas, contemplando 5 setores: energia, transporte, indústria, educação e alimentação. Infelizmente, parece a agenda de hoje, adicionando o tema sustentabilidade. Esse plano ficou conhecido com o slogan 50 anos em 5. E JK entrou para a história como um estadista.
Precisamos agora de um novo plano de metas, devidamente atualizado, e de gestores competentes que possam colocá-lo em prática. Não precisamos de um Mister ou uma Miss Simpatia. Precisamos de alguém que possa unir e inspirar o país, para entrarmos num novo ciclo de desenvolvimento.
Na redemocratização, conseguimos produzir uma nova Constituição Federal em 18 meses, entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988. Por que não conseguimos reformar o que é preciso hoje em prazo similar? Em algum momento, nos perdemos em debates estéreis.
Há tempo de mudar. A eleição é em outubro, e é uma ótima oportunidade para recuperarmos uma agenda realmente focada no nosso futuro.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
As poderosas bactérias encontradas em cavernas profundas que desafiam a medicina: 'Resistentes a praticamente todos os antibióticos'
Braga, do Rio Branco
Rio Branco vence Vitória e entra no G-4 do Grupo 12 da Série D
O aviso de perigo potencial (alerta amarelo) começou às 9h deste sábado (18) e segue até 23h59 de domingo (19)
ES tem alerta amarelo de chuvas intensas e ventos fortes para 32 cidades

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados