Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

Brasil, um país paralisado diante do futuro

Permanecemos imóveis: a agenda fiscal não deslancha, o ministro Fernando Haddad parece pregar no deserto e dias atrás o presidente da República até admitiu cortar gastos – mas somente a partir do ano que vem

Publicado em 23 de Junho de 2024 às 02:30

Públicado em 

23 jun 2024 às 02:30
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro Léo de Castro
O tempo passa, o mundo avança e o Brasil infelizmente continua paralisado diante de velhos desafios que conhecemos há décadas. Vemos a contradição de um discurso político anunciando um futuro de desenvolvimento e prosperidade, mas na prática não fazemos o necessário dever de casa. Não existe caminho fácil.
Sabemos das nossas oportunidades na economia mundial, da necessidade de estimular o setor industrial, como fazem as grandes potências como EUA, China e União Europeia, e sabemos que precisamos equilibrar as contas públicas, que no fim do dia é o que permite o controle da inflação, a queda dos juros e a ampliação do consumo.
Contudo, permanecemos imóveis. A agenda fiscal não deslancha, o ministro Fernando Haddad parece pregar no deserto e dias atrás o presidente da República até admitiu cortar gastos – mas somente a partir do ano que vem. Uma posição absolutamente incompatível com a urgência da nação.
Na semana passada saiu o ranking global de competitividade dos países: o Brasil ficou em 62º lugar entre as 67 economias pesquisadas. Estamos próximos de nações como Nigéria, Argentina e Venezuela.
No indicador “Eficiência governamental” o Brasil está em último, não por acaso. O estudo é feito pelo IMD – Institute for Management Development, com sede na Suíça, e há cinco anos o Brasil está entre as 10 piores posições.
A inércia de Brasília é um espanto diante desses indicadores. Para melhorar a competitividade do país, além do equilíbrio fiscal e das reformas estruturantes, sabemos também da importância crucial da educação. E o que fazem nossas lideranças? Postergam a implantação de uma reforma fundamental para o desenvolvimento do país, que é o Novo Ensino Médio, aprovado em 2017, no governo Temer.
O projeto voltou a tramitar no Congresso Nacional e, na semana passada, o Senado aprovou a reforma da reforma, que agora volta para a Câmara dos Deputados. A gente chega a ficar na dúvida se isso é ou não uma boa notícia, afinal, estamos há sete anos aguardando a implantação dessa reforma educacional.
Mas afinal, por que avançamos tão lentamente? Penso que devemos analisar melhor a escolha de nossos representantes, das lideranças que vão nos representar seja na política, seja nas organizações da sociedade civil, federações estaduais, confederações nacionais ou associações. Não devemos aceitar que a política seja dominada por subcelebridades das redes sociais ou personagens circenses. O parlamento não é lugar de caricaturas. Também não é lugar para aqueles que propõem soluções simples para problemas complexos.
Para termos eficiência governamental, que é o principal critério que nos deixa mal perante o mundo naquele ranking de competitividade, precisamos justamente de qualificar as nossas lideranças. Precisamos de líderes preparados, com visão de mundo, com coragem para enfrentar os desafios e capacidade de colocar os interesses do país à frente dos seus interesses pessoais, partidários ou setoriais.
E diante da necessidade de melhorar a nossa competitividade, o que faz o nosso país? Cria mais uma norma burocrática que prejudica o setor produtivo, regredindo ainda mais no quesito “eficiência governamental”.
Na semana passada, na tentativa de cortar incentivos fiscais, a Receita baixou uma nova instrução normativa que obriga as empresas a declararem os valores de créditos tributários a que elas têm direito e que utilizam para reduzir o peso dos tributos – no Brasil, já temos mais de 38,5 mil normas tributárias federais, segundo levantamento feito em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Não precisávamos de mais uma. A complexidade tributária, por sinal, é uma das grandes responsáveis pelo Custo Brasil, que mina nossa competitividade.
O governo às vezes faz lembrar o jogador Ronaldinho Gaúcho, que se notabilizou por olhar para um lado e tocar a bola para o outro, deixando os adversários tontos. É o que faz o governo ao sinalizar que vai apoiar o setor produtivo enquanto baixa mais uma norma para prejudicá-lo.
Diante do impasse sobre o ajuste fiscal, o presidente da República disse dias atrás ter ficado mal impressionado com os incentivos ao setor produtivo, que na verdade representam uma forma de atenuar o peso do Custo Brasil. Esses incentivos hoje representam cerca de R$ 600 bilhões. Ora, o Custo Brasil representa R$ 1,7 trilhão! Com pirataria, contrabando e ligações clandestinas de água e luz, o país perde outros R$ 453,5 bilhões. Por que não vemos a mesma indignação diante dessas cifras alarmantes?
Por que não enfrentar os verdadeiros problemas do país e optar por prejudicar o setor que gera emprego e produz riqueza?
O estudo sobre pirataria e contrabando foi produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Firjan e Fiesp. O documento intitulado “Brasil Ilegal em Números” foi entregue em abril ao ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça. O governo tem pleno acesso às informações e a todos os diagnósticos das agendas que precisamos enfrentar, como as reformas estruturantes, as concessões e investimentos em infraestrutura, a política industrial prevista no programa Nova Indústria Brasil, o equilíbrio das contas públicas, a reforma educacional, a desburocratização, enfim, a agenda é mais do que conhecida.
A questão é que permanecemos imóveis. O desenvolvimento sustentável, como o dinheiro, também não cai do céu. É preciso construí-lo.
Temo parecer repetitivo em alguns pontos, mas penso que repetitiva é a agenda, que permanece a mesma e não avança, tornando necessário voltar à mesma tecla. No momento, nos resta nos mobilizarmos para que tenhamos mais atenção na escolha de nossos representantes em todas as instâncias e fóruns, públicos e privados, observando o senso de urgência e os critérios de competência, meritocracia e capacidade de entrega. É o único caminho que nos fará avançar, saindo da inércia.

Léo de Castro

Léo de Castro Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Jovem morre após carro cair em córrego no Sul do ES
Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande
Aliados de Ricardo e Casagrande querem o PSD, só não sabem o que fazer com Hartung
Convenção do PSB confirma candidatura de Casagrande ao Senado
PSB oficializa em convenção candidatura de Casagrande ao Senado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados