As autoridades da saúde do Espírito Santo fazem o diagnóstico correto do estágio da pandemia do coronavírus no Estado: estamos em um patamar de estabilidade, mas isso ainda está longe de ser uma “queda consolidada”. Até porque o tal platô, que gira em torno de 30 óbitos diários, é muito alto para um Estado de população reduzida como o nosso. O Espírito Santo ainda exibe números alarmantes com relação à disseminação da Covid-19, sempre em torno de 1 mil novos casos por dia.
Por isso, não se deve relaxar com relação às medidas que visam ao distanciamento social, ao uso de máscaras e à higienização das mãos porque o sinal ainda é vermelho já que não há ainda uma clara tendência de redução dos casos e muito menos de consolidação de queda. Se as estatísticas mais recentes apontam alguma tendência é a da interiorização da pandemia pelo crescimento mais acelerado da quantidade de casos nas cidades do interior em relação às da Grande Vitória.
Basta verificar o índice de ocupação de leitos de UTI pelos contaminados pela Covid-19: ele atingiu, segunda-feira, 13, 84% se aproximando do limite estabelecido pelo governo do Estado para a decretação de medidas mais restritivas às atividades econômicas. Em cidades de médio porte, como Linhares, e em vários hospitais da Grande Vitória, já não há leitos disponíveis. Não é sem motivo que o governo busca ampliar a quantidade de leitos – recorrendo aos hospitais privados – para ganhar melhores condições de enfrentamento da pandemia.
No restante do país a situação não é diferente. Se a disseminação se mostra mais controlada em locais onde a pandemia chegou primeiro, em outros – como os Estados do Centro-Oeste e do Sul – os números crescem de forma exponencial. A tendência de interiorização é também crescente na grande maioria das regiões. E a média diária de óbitos, considerada as duas últimas semanas, continua acima de 1 mil.
É sinal que muito ainda há o que fazer para controlar essa tragédia sanitária que se abateu sobre o mundo. Ela, definitivamente, não é “uma gripezinha” e tampouco “uma chuva” como chegou a ironizar o principal morador do Planalto. Aliás, é inacreditável como alguém que foi contaminado continue dando o mau exemplo de negar o perigo da doença que já vitimou mais de 75 mil brasileiros e quase 600 mil pessoas no mundo. Mau exemplo que expõe o país ao ridículo perante a comunidade científica e o mundo civilizado.
Mas nós, brasileiros, já aprendemos há muito tempo de que não temos no comando do país uma pessoa equilibrada. Ao contrário, o que temos é um negacionista arrogante que teima em não reconhecer o mais dramático momento vivido pela humanidade nos últimos 100 anos.