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Pandemia

Queda do número de casos de Covid-19 no ES ainda está longe

O tal platô, que gira em torno de 30 óbitos diários, é muito alto para um Estado de população reduzida como o nosso. O ES ainda exibe números alarmantes com relação à disseminação da Covid-19, em torno de 1 mil novos casos por dia

Públicado em 

17 jul 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Ato homenageia capixabas mortos pelo novo coronavírus na praia de Camburi, em Vitória
Número de mortos por coronavírus no ES ainda está num patamar considerado alto Crédito: Ricardo Medeiros
As autoridades da saúde do Espírito Santo fazem o diagnóstico correto do estágio da pandemia do coronavírus no Estado: estamos em um patamar de estabilidade, mas isso ainda está longe de ser uma “queda consolidada”. Até porque o tal platô, que gira em torno de 30 óbitos diários, é muito alto para um Estado de população reduzida como o nosso. O Espírito Santo ainda exibe números alarmantes com relação à disseminação da Covid-19, sempre em torno de 1 mil novos casos por dia.
Por isso, não se deve relaxar com relação às medidas que visam ao distanciamento social, ao uso de máscaras e à higienização das mãos porque o sinal ainda é vermelho já que não há ainda uma clara tendência de redução dos casos e muito menos de consolidação de queda. Se as estatísticas mais recentes apontam alguma tendência é a da interiorização da pandemia pelo crescimento mais acelerado da quantidade de casos nas cidades do interior em relação às da Grande Vitória.
Basta verificar o índice de ocupação de leitos de UTI pelos contaminados pela Covid-19: ele atingiu, segunda-feira, 13, 84% se aproximando do limite estabelecido pelo governo do Estado para a decretação de medidas mais restritivas às atividades econômicas. Em cidades de médio porte, como Linhares, e em vários hospitais da Grande Vitória, já não há leitos disponíveis. Não é sem motivo que o governo busca ampliar a quantidade de leitos – recorrendo aos hospitais privados – para ganhar melhores condições de enfrentamento da pandemia.
No restante do país a situação não é diferente. Se a disseminação se mostra mais controlada em locais onde a pandemia chegou primeiro, em outros – como os Estados do Centro-Oeste e do Sul – os números crescem de forma exponencial. A tendência de interiorização é também crescente na grande maioria das regiões. E a média diária de óbitos, considerada as duas últimas semanas, continua acima de 1 mil.
É sinal que muito ainda há o que fazer para controlar essa tragédia sanitária que se abateu sobre o mundo. Ela, definitivamente, não é “uma gripezinha” e tampouco “uma chuva” como chegou a ironizar o principal morador do Planalto. Aliás, é inacreditável como alguém que foi contaminado continue dando o mau exemplo de negar o perigo da doença que já vitimou mais de 75 mil brasileiros e quase 600 mil pessoas no mundo. Mau exemplo que expõe o país ao ridículo perante a comunidade científica e o mundo civilizado.
Mas nós, brasileiros, já aprendemos há muito tempo de que não temos no comando do país uma pessoa equilibrada. Ao contrário, o que temos é um negacionista arrogante que teima em não reconhecer o mais dramático momento vivido pela humanidade nos últimos 100 anos.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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