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Coronavírus

Todos torcem pelo fim da pandemia, mas estamos no caminho certo?

As estatísticas indicam que nada ainda há para comemorar a respeito do coronavírus e que as medidas de flexibilização da atividade econômica devem se pautar principalmente pela prudência

Publicado em 03 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 jul 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Imagem do coronavírus no ambiente
Coronavírus: números mostram que pandemia ainda está longe do fim Crédito: Freepik
Todos torcem pelo fim da pandemia, mas a contaminação, tudo indica, ainda não atingiu o seu ponto mais alto. O Ministério da Saúde – com a credibilidade abalada pelas constantes barbeiragens cometidas nesse período – fala em “platô na curva de mortes pela Covid-19” mas, em seguida, alerta: há um aumento de número de casos da doença em todas as regiões do país. O Brasil é o segundo país do mundo com maior quantidade de casos de infectados – 1,5 milhão – e de mortes – mais de 60 mil –, números que só ficam abaixo dos registrados nos Estados Unidos.
A situação brasileira é tão grave que até o presidente dos Estados Unidos criticou o seu colega e admirador brasileiro. Para Trump, a condução do governo federal com relação à pandemia não serve de exemplo para ninguém. “Perguntem como estão no Brasil. Ele [Bolsonaro] é um grande amigo meu, mas não está bem”, disse Trump em discurso na semana passada em Oklahoma. Para ele, as escolhas feitas pelo governo brasileiro conduziram o país a um “momento bem difícil”.
E não é só Trump que acha equivocada a conduta do governo brasileiro com relação à pandemia. Os 27 países da União Europeia incluíram os brasileiros na lista dos proibidos de entrar em suas fronteiras porque a pandemia está fora de controle no país. A mesma decisão já havia sido tomada pelos Estados Unidos há pouco mais de um mês. Na quarta-feira, o Tribunal de Contas da União fez um alerta ao governo federal sobre falhas no enfrentamento da doença. Para o TCU, faltam estratégias para combater a pandemia, há pouca transparência do ministério e ausência de profissionais de saúde nos comitês de crise.
No Espírito Santo, a disseminação da doença também está longe do final. O Conselho Regional de Medicina anuncia que a taxa de mortalidade, no Estado, está caindo (está em 3,4% enquanto a média nacional é de 4,3%) mas “os pacientes de enfermaria estão apresentando quadros mais graves”. O que é muito preocupante porque o índice de ocupação das UTIs está em 82,99%. A quantidade de mortes por dia, no Espírito Santo, continua muito alta: na última quarta-feira (1º), foram 45 os óbitos e 1,9 mil novos casos registrados.
Todas essas estatísticas indicam que nada ainda há para comemorar e que as medidas de flexibilização da atividade econômica devem se pautar principalmente pela prudência. Afinal, está mais do que provado que quanto maior é a circulação e aglomeração de pessoas, maior é o risco de contaminação. São várias as cidades, Estados e países – na China, Alemanha, EUA e Portugal, por exemplo – que afrouxaram as medidas de isolamento social e tiveram que voltar atrás.
Espera-se que esse não seja o caso também do Brasil e do nosso Espírito Santo.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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