A Gazeta portal de notícias do Espirito Santo

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

José Carlos Corrêa

Os impactos dos pacotes de bondades e das promessas inviáveis

Como sabemos, estamos perto do período eleitoral, onde tudo se promete apostando na memória curta do eleitor

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 04:30

Públicado em 

19 jun 2026 às 04:30
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

Nem se pode dizer que se trata de invenção de Lula, até porque Jair Bolsonaro usou e abusou de escancarar os cofres públicos para desembrulhar o seu “pacote de bondades” durante a campanha eleitoral de 2022. 


Basta lembrar o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 mensais (sem falar nos 3 milhões de novos beneficiários), a ampliação do Vale Gás e a criação de vouchers para caminhoneiros e taxistas que, ao lado de outras medidas, geraram uma despesa adicional de algumas dezenas de bilhões de reais.


Mas é preciso admitir que Lula segue o mesmo caminho com “bondades” ainda maiores que são estimadas em mais de R$ 200 bilhões. Isso agrava a péssima situação fiscal brasileira e aumenta a conta a ser paga pela sociedade principalmente pelos impactos que exigem aumento de impostos e geram mais inflação.


O pacote de “bondades” de Lula não para de crescer. A mais recente distribuição de benefícios é o crédito de R$ 4 bilhões para entregadores de aplicativos comprarem motos. Ele veio logo após os financiamentos subsidiados concedidos aos caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativos. 

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião Ministerial
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião Ministerial Ricardo Stuckert/PR

São despesas que se acumulam a outras “bondades” como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, a expansão do crédito consignado privado e do Minha Casa, Minha Vida, a renegociação de dívidas dos “Desenrolas” e os subsídios em energia e gás de cozinha.


O pesquisador do Insper Marcos Mendes chama a atenção para o fato de a maior parte dessas despesas correrem por fora do famigerado arcabouço fiscal. Ou seja, elas existem, causam danos ao orçamento, aumentam a dívida pública, mas estão fora das contas que revelam se a meta do arcabouço está ou não sendo cumprida. 


Em outras palavras: o déficit aumenta, mas a propaganda anuncia para o distinto público que o teto de gastos só foi ultrapassado “um pouquinho”.


O Congresso Nacional tem também dado a sua contribuição à gastança desenfreada do dinheiro público. Além da ampliação do fundo eleitoral (R$ 4,9 bilhões a serem torrados na campanha de 2026) e das emendas parlamentares (R$ 50 bilhões no ano), os deputados e senadores anunciam a disposição de criar mais R$ 200 bilhões de despesas para a União com o refinanciamento de dívidas rurais, a aposentadoria diferenciada para agentes comunitários e de saúde, a elevação do teto do Simples Nacional e a ampliação do Fundo de Participação de Municípios e da imunidade tributária de templos religiosos. Não é por outra razão que esse conjunto e medidas está sendo chamado de “pauta-bomba”.

Veja Também 

Escultura

O Código de Ética e as cortinas de fumaça

Imagem de destaque

Quem vai herdar o desequilíbrio fiscal

Imagem de destaque

O gasto descontrolado do dinheiro público

Isso sem falar no populismo explícito da aprovação-relâmpago, na Câmara dos Deputados, do fim da escala 6x1, sem que houvesse qualquer consideração sobre os impactos no mercado de trabalho, no emprego e nas empresas, e muito menos sobre os custos que serão acarretados pela mudança, como se esses custos fossem desaparecer no ar. 


O que se viu foi o governo abraçando a ideia – usando inclusive a propaganda paga com dinheiro público – para vender a ilusão de que não há custos nessa mudança tão profunda. E custos há, e certamente virão se a escala 5x2 realmente for implantada da mesma forma açodada como foi aprovada, principalmente turbinando a inflação que será paga por toda a sociedade.


Mas, como sabemos, estamos no período eleitoral, onde tudo se promete apostando na memória curta do eleitor, no pressuposto que, aos poucos, as promessas serão esquecidas sem maiores cobranças. 


E vida que segue, com o cofre sendo esvaziado e a dívida pública batendo recordes e, como sempre, com a conta dessa farra sendo empurrada para o contribuinte pagar.   


José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício
Júri por morte de professora no ES entra na reta final nesta quinta (5)
Imagem de destaque
Dois advogados reforçam equipe de transição de Pazolini
Hospital Casa de Caridade São José, único do município de Alegre, será administrado temporariamente pela prefeitura
Justiça determina intervenção da prefeitura no único hospital de Alegre

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.