O governo do Espírito Santo, através da Secretaria de Estado da Saúde, tem se destacado como referência no monitoramento da Covid-19 e na adoção de medidas capazes de minimizar os efeitos danosos da pandemia. Enquanto o governo federal continua dando exemplos de como não se comportar – com o presidente promovendo aglomerações e sendo multado por não usar máscara –, o governo estadual adota as medidas adequadas de combate à Covid-19 e zela para garantir os serviços de saúde necessários ao tratamento dos infectados.
Entre as ações realizadas está o acompanhamento por município dos principais indicadores da contaminação, como os casos ativos nos últimos 28 dias, a quantidade de testes realizados por grupo de mil habitantes e a média de mortes dos últimos 14 dias, dados que alimentam a Matriz de Risco e Convivência. Esses números, juntamente com a taxa de ocupação de leitos potenciais de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19, orientam as decisões do governo na classificação dos municípios por nível de risco (extremo, alto, moderado e baixo).
É com base nessa análise essencialmente técnica que são tomadas as medidas de restrições às atividades não essenciais. Foi por isso que Vitória voltou a ser classificada no nível de risco alto e a ter bares fechados, limitação no horário do comércio, eventos suspensos e aulas presenciais apenas para alunos do ensino infantil e fundamental até o 5º ano. Por mais que seja compreensível o anseio dos comerciantes de retomar as atividades normais, é sempre necessário colocar a saúde da população em primeiro lugar.
E há razões de sobra para que as medidas de restrição sejam adotadas. Embora a quantidade de mortes por Covid-19 tenha recuado no Espírito Santo, de abril (2.024) para maio (1.203) os números foram os maiores de todo o período da pandemia. A quantidade de infectados em março (56.175), abril (54.201) e maio (45.006) de 2021 só é menor que a de dezembro de 2020 (58.250). No Estado, as mortes por Covid-19 se aproximam de 11 mil e as pessoas infectadas estão próximas de meio milhão.
A competência das autoridades da saúde capixaba na condução do combate à pandemia tem possibilitado que a ocupação de leitos de UTI seja mantida abaixo de 80%. Mas para que a pandemia possa estar sob controle é preciso avançar na vacinação que ainda segue com extrema lentidão por falta de doses disponíveis. Até segunda-feira (31) menos de 11% da população capixaba havia recebido a segunda dose do imunizante.
Não é por outro motivo que o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, segue recomendando a manutenção da “disciplina no uso de máscara” e de se “evitar aglomerações”. Até porque “na ausência de imunidade coletiva” (que será alcançada com pelo menos 70% da população imunizada) persiste o risco de uma “nova fase de aceleração da doença”.
Em outras palavras, não basta ao governo fazer a sua parte. É preciso que a população também faça a sua.