Ao contrário do governo federal, que vive às voltas com um déficit crônico nas contas públicas e um endividamento crescente, o Espírito Santo tem sido, já há vários anos, um exemplo positivo de equilíbrio fiscal o que lhe dá melhores condições de enfrentar as crises recorrentes que abalam as nossas principais atividades econômicas.
Foi assim nas consequências das catástrofes de Mariana e Brumadinho – que afetaram diretamente a Vale e a Samarco –, na debacle da Petrobras na época do petrolão e durante a pandemia da Covid-19. E tomara que seja assim também nas crises decorrentes do tarifaço de Donald Trump e no período de implantação da reforma tributária.
O tarifaço de Trump, mesmo com a isenção dada a boa parte dos produtos exportados pelo Espírito Santo, penaliza os numerosos produtores e exportadores capixabas de café, frutas, pescados, rochas ornamentais e carnes, entre outros. No caso da reforma tributária, os prejuízos virão da mudança da tributação da origem (produção) para o destino (consumo), o que representará redução de arrecadação em estados, como o Espírito Santo, que produzem mais do que consomem.
Tanto em um caso como no outro, os impactos econômicos são significativos. Vinte e oito por cento das exportações do Espírito Santo têm os Estados Unidos como destino. Somos o segundo estado brasileiro mais impactados pelo tarifaço (o primeiro é São Paulo), segundo a Secex, a Secretaria de Comércio Exterior. Saem pelos portos do Espírito Santo 8% das exportações brasileiras, como contabilizou a Amcham, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, no primeiro semestre deste ano.
Convenhamos, não é pouca coisa. Há produtos capixabas que têm os Estados Unidos quase como o único mercado, como a pimenta do reino, a macadâmia, o gengibre e o pescado. Sessenta e cinco por cento das exportações de mármore e granito extraídos por 300 empresas capixabas vão para os Estados Unidos. Da nossa maior atividade no agronegócio, o cultivo de café, 16% da produção são adquiridos pelos norte-americanos.
O Governo do Espírito Santo tem procurado monitorar atentamente esses impactos. Criou um comitê de crise que acompanha as consequências do tarifaço junto aos empresários que atuam nos setores afetados, sem se esquecer dos pequenos produtores e da economia familiar.
Como o Estado ocupa o primeiro lugar em equilíbrio fiscal entre as unidades da federação – de acordo com o ranking elaborado pela Aequus Consultoria Econômica –, é de se supor que tenha boas condições de enfrentamento de mais essa crise. O Espírito Santo, há 13 anos, graças à sucessão de governos que zelaram pelo equilíbrio das contas públicas, obtém a nota “A” na avaliação da Capacidade de Pagamento (que considera os indicadores de endividamento, poupança corrente e liquidez relativa) da Secretaria do Tesouro Nacional).
À boa situação financeira do Governo do Estado soma-se a informação de que os municípios capixabas estão investindo mais em obras que beneficiam a população. Segundo a Aequus, o valor dos investimentos dos 78 municípios capixabas no ano passado foi de R$ 4,4 bilhões, 23,5% maior que o do ano anterior.
É sinal que, no Espírito Santo, a qualidade dos gastos públicos chega também ao nível municipal, o que é extremamente positivo em um país perdulário cujo presidente vive repetindo que “gasto público não é despesa, é investimento”.
Tal como na fábula da cigarra e da formiga, o Espírito Santo tem dado demonstrações de que vale a pena poupar nos bons períodos para poder enfrentar as crises com que a conjuntura, infelizmente, quase sempre nos castiga. Tomara que sejamos capazes de, mais uma vez, vencer os obstáculos, conquistando novos mercados para os nossos produtos, mantendo os empregos e construindo um futuro de prosperidade para as próximas gerações.