O toque de reunir foi dado. Uma mensagem, veiculada no sábado (30), na imprensa, intitulada “Somos Muitos” e assinada por centenas de personalidades, marcou o início de um movimento denominado “Estamos Juntos”. Na mensagem, uma conclamação: é hora de defender “a vida, a liberdade e a democracia”. Afinal, dizem os signatários da mensagem, “somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país”.
Por que o movimento fala em representar a maioria da população? É que as pesquisas responsáveis que se sucedem são claras: há 30% da população que permanece, de forma radical, apoiando o presidente da República nos seus desvarios, nos seus xingamentos, na sua irresponsável defesa do fim do isolamento social, na sua insensibilidade pela morte de mais de 30 mil brasileiros (“E daí?”, “É o destino de todo mundo”), nas crises diárias que cria para acirrar o confronto com os outros poderes e com quem mais discorde das suas ideias.
E o que pensa a maioria da população, os 70% que não concordam com os arroubos autoritários do presidente? “Somos mais de dois terços da população do Brasil, (...) formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo”, diz o manifesto do “Estamos Juntos”.
O manifesto vem em boa hora. Ninguém mais suporta o descaso do governo federal com a pandemia do coronavírus, escancarado na reunião ministerial de 22 de abril que, felizmente, foi mostrada a todo o país para desnudar a incompetência e a insanidade de um governo autoritário e antidemocrático. E o que é pior: governo liderado por um presidente que já não disfarça a sua intenção de acirrar o confronto com quem ousa dele discordar. Sua frase, dita na porta do palácio Alvorada, “Acabou, porra!”, abre caminho para seu filho Eduardo afirmar que a ruptura não é uma questão se se, mas de quando acontecerá.
O Brasil já passou por períodos de supressão de liberdades e a ninguém é dado desconhecer os malefícios que eles trouxeram aos direitos individuais e à dignidade das pessoas. A sucessão de crises políticas fabricadas pelo próprio presidente da República, ao meio da maior crise na saúde dos últimos 100 anos e da recessão econômica dela decorrente, aponta para a real ameaça de que a ruptura, anunciada pelo 03, poderá vir.
Ao contrário da pandemia, para esses arroubos autoritários, há vacina disponível. Uma delas está sendo oferecida pelo movimento “Estamos Juntos”, em defesa da ética e da democracia “sem ódio, com afeto, informação, união e esperança”.