A agressão verbal a um repórter, no início da semana, não foi a primeira e nem será a última agressão do presidente da República à imprensa. Em fevereiro, ele já havia insultado uma jornalista da “Folha de S. Paulo”. Agredir a imprensa é um dos seus hobbies preferidos. Na segunda-feira (24), ele repetiu isso em uma cerimônia irresponsavelmente intitulada “Brasil vencendo o Covid-19”, título ridículo quando se sabe que o presidente é um dos maiores responsáveis pelo Brasil estar batendo recordes de número de infectados e de mortos pela pandemia.
As duas questões – relacionamento com a imprensa e comportamento diante da pandemia – são exemplares para demonstrar o viés autoritário do presidente. Com a imprensa, o presidente tem uma relação de ódio própria dos governantes que acham que têm mais poder do que de fato têm. Lula, por exemplo, tentou expulsar um jornalista do país e instituir um conselho para regular a atuação dos jornalistas. Maduro persegue empresas de comunicação que o criticam. Trump proíbe a participação de alguns órgãos de imprensa nas entrevistas coletivas que concede.
É até curioso que governantes que se dizem de direita, como Bolsonaro e Trump, adotem comportamentos semelhantes aos ditadores de esquerda a quem tanto criticam. Isso só mostra que ojeriza à imprensa não tem a ver com ideologia político-partidária, mas com o autoritarismo. Quando se instalam no poder, a primeira coisa que os ditadores procuram fazer é calar e intimidar a imprensa.
Quanto ao comportamento do presidente diante da pandemia, é lamentável que, além de subestimar a gravidade da doença – que já matou mais de 117 mil brasileiros –, de tentar desqualificar as medidas que tentam frear a disseminação do vírus – como o isolamento social – e de nunca ter manifestado solidariedade às famílias enlutadas, o presidente venha se tornando garoto-propaganda de um medicamento comprovadamente ineficaz no combate à doença contradizendo as recomendações das autoridades da área da saúde de todo o mundo.
Ao noticiar os fatos decorrentes da pandemia – comprovadamente a maior catástrofe que se abateu sobre o mundo nos últimos 100 anos – a imprensa nada mais faz do que informar aos brasileiros sobre a gravidade da doença. É o noticiário que ajuda a prevenção para que menos brasileiros se tornem vítimas do coronavírus. Já o presidente e o seu governo buscam esconder a quantidade de mortos e a fingir que o perigo já passou ou nunca existiu.
A intenção de intimidar a imprensa está clara no comportamento do presidente brasileiro. Ele faria melhor se esclarecesse por que sua mulher recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz.