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Para pensar

Em tempos conturbados, para onde a cidadania quer levar o país?

Entre outros, a cidadania quer levar o país à justiça social, a uma melhor distribuição da renda, a uma educação pública de qualidade, à efetivação da saúde como direito de todos, à infância e à adolescência protegidas

Publicado em 17 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

17 jun 2020 às 05:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

Homem segurando a constituição
Homem segurando a Constituição Crédito: Arabson/Arquivo
Por iniciativa da Fundação Ulysses Guimarães, tive a oportunidade de debater a respeito deste tema: Para onde a cidadania quer levar o país? Discorrer sobre cidadania, numa instituição que tem o nome de Ulysses Guimarães, não seria possível senão iniciando a fala a partir do patrono, um paradigma das lutas cidadãs.
Ulysses combateu a ditadura instaurada no Brasil, em 31 de março de 1964, e desempenhou papel decisivo na redemocratização do Brasil. Ao declarar que a Constituição de 1988 tinha sido promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte, o gigante Ulysses, com a Carta Magna erguida nas mãos, num gesto cívico, adjetivou o documento: Constituição Cidadã.
Mas tudo isso é história e para os jovens até parece pré-história nestes tempos em que o ontem é esquecido e somente o hoje tem significado. Entretanto, é preciso que se diga com todas as forças da alma: um povo que não conhece o passado não tem futuro.
São muito expressivas e dignas de aplausos as passeatas que condenam a corrupção, que exigem segurança, saúde e educação, que protestam contra os desvios éticos. As classes dominantes desencorajam as lutas coletivas.
Com frequência, os líderes das lutas coletivas são perseguidos, presos e até mesmo assassinados. O povo tem de aprender a vencer seus desafios com as próprias forças.
Mesmo que o ambiente envolvente seja adverso, mesmo que a luta coletiva não seja valorizada e enaltecida, é a união que faz a força. Assusta-me que algumas vozes distorçam os justíssimos reclamos e advoguem o retorno da ditadura.
Assusta-me também que uns poucos maculem o protesto democrático com atos de vandalismo e destruição do patrimônio público. Lembre-se, sobretudo aos jovens, que os atos institucionais que decretaram o regime ditatorial apresentaram, como justificativa para a supressão das garantias, a defesa dos valores democráticos.
Entretanto, com as ressalvas admitidas para que vigorasse, em nossa pátria, uma liberdade apenas relativa, o que vimos, a partir de primeiro de abril de 1964, foi a prática da tortura nos porões do regime, a perseguição aos opositores, a censura à imprensa, o silenciamento dos grandes líderes e abusos de toda ordem.
Respondi à pergunta formulada pelos organizadores do conclave: a cidadania quer levar o país à Justiça Social, a uma melhor distribuição da renda, a uma educação pública de excelente qualidade, à efetivação da saúde como direito de todos, à infância e adolescência protegidas, cuidadas como tesouro mais precioso que o ouro e a prata, como disse o Papa Francisco.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

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