Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Datas importantes

Devemos aceitar com tranquilidade opiniões contrárias às nossas

As proposições das quais discordamos podem revelar verdades que não conhecíamos. Eis o valor da democracia

Publicado em 16 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 set 2020 às 05:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

democracia
Com a democracia, refletimos a necessidade do respeito às opiniões favoráveis ou contrárias a nossas opiniões Crédito: Pixabay
Comemoramos nesta terça-feira, 15 de setembro, o Dia Mundial da Democracia. Comemoraremos nesta quinta, 17 de setembro, o Dia da Compreensão Mundial. A principal finalidade das datas comemorativas é provocar estudo e reflexão: nas escolas, instituições da comunidade, igrejas, veículos de comunicação...
A discussão dos temas relacionados com os dias festivos não é costume apenas brasileiro. É universal e bastante antigo.
Há estreita ligação entre a ideia de democracia (celebrada em 15 da setembro) e a ideia de compreensão entre as pessoas (celebrada dois dias depois). Parece-me sábio partir do princípio de que não sou, nem ninguém é, dono da verdade.
Devemos, assim, aceitar com tranquilidade opiniões favoráveis e opiniões contrárias a nosso pensamento. As proposições, das quais discordamos, podem revelar verdades que não conhecíamos.
O poeta capixaba Geir Campos escreveu estes versos: “Morder o fruto amargo e não cuspir, mas avisar aos outros o quanto é amargo. Cumprir o trato injusto e não falhar, mas avisar aos outros o quanto é injusto.”
Estes versos traduzem a ideia de compreensão. O poeta não aconselha a renúncia ao próprio pensamento. Pelo contrário. Morder o fruto amargo (a injustiça), e não cuspir. Entretanto, não obstante suportando o amargor e o sofrimento do fruto amargo, denunciar quanto esse fruto é injusto.
O debate contribui para o avanço de um povo.
Quando eu era juiz de Direito, em atividade, era chamado por algumas pessoas, pejorativamente, com o codinome de juiz marginal. O epíteto não me era atribuído pelos leigos em Direito, o que seria menos doloroso, mas por profissionais que integravam o universo jurídico.
Isto porque, seguindo a consciência e por uma questão de foro íntimo, eu dava sentenças que, naquela época, não guardavam sintonia com o pensamento dominante e a jurisprudência dos tribunais superiores.
Esta visão do Direito não era, de forma alguma, partilhada, naqueles tempos, pelos magistrados do andar de cima.
A opção pelo Humanismo Jurídico colocará, como tábua de referência do labor legislativo ou hermenêutico, a permanente preocupação de fecundar o Direito para que sirva ao melhor convívio humano.
Um jurista-humanista nunca divagará pelos caminhos da perfeição dos silogismos, não se encantará com a geometria das formas jurídicas, não se perderá na abstração das doutrinas divorciadas da vida, das lutas e dos sofrimentos de cada dia.
Estará sempre atento às solicitações concretas, existenciais que presidem a nossa curta passagem por este mundo. Direito sem humanismo é negação do Direito.
No Dia Mundial da Democracia, é apropriado refletir na necessidade do respeito às opiniões favoráveis ou contrárias a nossas opiniões.
No Dia da Compreensão Mundial, cabe pensar que a paz universal será impossível se, em vez de tolerância com o divergente, pretender-se como válido o decreto da verdade.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Com vitória dramática nos pênaltis, Paraguai bate a Alemanha e avança às oitavas de final
Maurício PAraguai Palmeiras
Paraguai elimina a Alemanha nos pênaltis e avança às oitavas da Copa
Imagem de destaque
Os tensos minutos de silêncio para tentar ouvir sobreviventes sob os escombros na Venezuela

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados