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Homenagem

Apelo por justiça continua, 31 anos após morte do padre Gabriel Maire

Muitas homenagens estão sendo prestadas em memória do religioso, conhecido pelas lutas contra o crime organizado no Espírito Santo e assassinado em 1989, em Vila Velha

Publicado em 23 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

23 dez 2020 às 05:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

Padre Gabriel Maire
Padre Gabriel Maire Crédito: Divulgação
Hoje, 23 de dezembro, é uma data muito triste – lembra o assassinato do Padre Gabriel Maire. Muitas homenagens estão sendo prestadas à memoria do Padre Gabriel em associações de moradores, em assembleias religiosas, em centros de direitos humanos.
Não apenas em Cariacica, onde ele exerceu seu pastoreio, o Padre Gabriel será lembrado, mas em todo o território nacional, do Acre ao Rio Grande do Sul.
Está circulando um manifesto nestes termos: “Buscamos a verdade. Verdade em relação ao crime que tirou a vida do Padre Gabriel e em relação a todos os outros crimes que pelo nosso Estado e em todo o Brasil continuam sem solução”. “Queremos manifestar nosso repúdio a todo aquele que no Poder Executivo, Legislativo e Judiciário não cumpre seu papel de cidadão, servidor do povo. Também queremos afirmar que continuaremos lutando pela Justiça, nas organizações populares, na Comunidade, no Sindicato e na Política".
O apelo de Justiça contido nesse manifesto continua sem ser ouvido. O assassinato do Padre Gabriel Maire aconteceu no território da Grande Vitória, em 23 de dezembro de 1989. Já se passaram três decênios e o crime continua encoberto.
É mesmo possível que alguém se comprometa com causas populares, com transformação das estruturas políticas e sociais, em nome do Evangelho?
Muitos negam qualquer vinculação entre Evangelho e Política. Chegam mesmo a recorrer a uma frase bíblica para argumentar pela ilegitimidade do engajamento político, sob a luz da Fé Cristã. O texto invocado com frequência é muito conhecido: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
As teses que contradizem a pretendida separação entre Fé e Política também são muitas. Essas teses querem que a Fé ilumine a Política. Que a Fé faça desabrochar valores éticos e sociais e dê sustentação aos Direitos Humanos.
Jean-François Collange, professor de Teologia Protestante da Universidade de Strasbourg, mostra que, fundamentalmente, o traço de união indissociável entre Cristianismo e Direitos Humanos resulta de que o valor do homem, diante de Deus, não está nem na cor de sua pele, nem no seu sexo, nem no seu estatuto social, nem muito menos na sua riqueza, mas no fato de que em Cristo ele é aceito como filho de um mesmo Deus.
Isto de cada um, de sua parte, reconhecer-se como filho de um mesmo Pai conduz a uma fraternidade autêntica, base dos Direitos Humanos.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

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