Já comeu uma pereveca? Caldo de mocotó, muito provavelmente você já provou. Mas e geléia de mocotó? Ou então, que tal experimentar o brot pomerano? Para quem gosta de uma bebida aperitiva, uma dose de cachaça de jaca pode descer bem. Todos esses sabores e muitos outros que marcam a cultura do Espírito Santo podem ser degustados durante a Feira dos Municípios, que vai até domingo (31) no Pavilhão de Carapina, na Serra.
O evento reúne os 78 municípios capixabas para mostrar o que as terras capixabas têm de melhor: culinária, belezas naturais e a cultura de cada região. Com o tema “Um Espírito Santo para conhecer, viver e se orgulhar”, a feira tem entrada gratuita e conta com mais de 20 atrações musicais e culturais confirmadas, como a escola de samba MUG, a banda Casaca, entre outras.
A culinária é um dos pontos altos da feira. Ao longo dos estandes, produtores de diferentes regiões do Estado apresentam produtos artesanais e combinações inusitadas ao público.
Esse é o caso da pereveca, que desperta a curiosidade de quem passa pelo evento. O pão de origem alemã é o carro-chefe de Colatina, no Noroeste do Estado. A produtora Caroline Radaelli conta que, ao chegar à cidade, não só o nome do quitute, mas também os ingredientes sofreram alterações.
Antigamente, na Alemanha, era panveca. Quando os alemães chegaram ao Brasil, acabou dando aquele 'jeitinho brasileiro' e se tornou pereveca. Inicialmente era feito com pera, nozes e rum. Porém, quando os imigrantes chegaram, não encontraram esses ingredientes e acabaram adaptando para banana, amendoim, cachaça e outras especiarias.
Caroline Radaelli Expositora
Outra opção que também chama a atenção na feira é a geleia de mocotó, de Ponto Belo, com cerca de 6 mil habitantes, no Norte capixaba O subsecretário municipal de Agricultura, Arthur Tavares, conta que a cidade é uma das maiores produtoras de carnes bovinas do Estado e também tem grande influência da culinária baiana. A mistura de culturas fez a geleia de mocotó se tornar um dos símbolos da região. "É uma geleia feita da cartilagem bovina, a partir do tutano do boi."
O Espírito Santo é o terceiro maior produtor de cachaça do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Na Feira dos Municípios, os visitantes conseguem encontrar a bebida vinda em diferentes sabores e de diversas partes do Estado.
No estande de Rio Bananal, do Norte do Estado, o destaque é a cachaça de jaca. O gerente de produção Cristiano Borges destaca que a bebida foi premiada no Spirits Selection, evento realizado no México. Segundo ele, o processo de fabricação é longo e influencia no sabor: a cachaça é envelhecida por cerca de oito anos em barris de jaca, uma madeira de origem tropical, o que dá um sabor especial à "pinga".
Considerada a capital estadual da cachaça, São Roque do Canaã traz a bebida em diferentes versões, em especial as envelhecidas, que fazem bastante sucesso como explica a expositora Joyce Zanetti. Também é possível encontrar no estande da cidade, localizada na região Serrana, diversos tipos de biscoitos feitos com a bebida.
Entre os sabores apresentados na feira, a jabuticaba também ganha espaço em diferentes versões. Nos estandes, os visitantes encontram produtos artesanais feitos com a fruta, como geleias, licores, doces e até iogurte, que se destacam pelo sabor marcante e pela valorização da produção local.
O brot pomerano, de Pancas, é uma das compras favoritas de quem passa pelo estande da cidade do Noroeste capixaba. O produto é uma espécie de pão à base de fubá, podendo ser no sabor tradicional ou banana, sendo consumido com geleias especiais.
As opções no estande variam e incluem também geleia de jaca, cebola caramelizada e manga com pimenta. “É uma questão cultural. É a preservação. É a valorização desse povo, que emigrou e ajudou a construir o Espírito Santo”, conta a expositora Camila Dettmann.
A feira também emociona quem visita e reencontra pratos consumidos na infância. A maquiadora Mariana Muniz, que cresceu em Pancas, destaca a importância do evento para se reconectar às origens, ao lado do filho Matteo. "Sou apaixonada por Pancas. A minha família é de lá. Toda vez que eu venho, visito o estande e me apaixono. Sempre lembro da minha infância. É cheirinho de casa, sabe", declara.