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Sistema prisional

Revistas íntimas em presídios: prender e não vigiar é pior que não prender

É bem verdade que essas revistas sempre têm algo de constrangedor. É possível tomar várias medidas para reduzir a invasividade: serem executadas por pessoas do mesmo sexo, utilizar detectores de metal, raios-x e outros equipamentos

Publicado em 20 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

20 jun 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Detento no presídio: quantidade de presos é alta no ES
Detento no presídio: revistas íntimas de visitantes estão em debate Crédito: Arquivo
STF está para julgar a legalidade das revistas íntimas em visitantes de pessoas encarceradas. Sustenta-se que um percentual muito pequeno das inspeções resulta em apreensões, mas este é um argumento natimorto: é exatamente o rigor na verificação de quem entra nos presídios que desencoraja quem tem a ideia de levar para dentro algum artefato proibido. Além disso, mesmo uma pequena quantidade desses objetos em mãos de criminosos permite que continuem cometendo crimes dentro e fora dali.
Até quem não é acostumado com o ambiente e o funcionamento do sistema carcerário pode imaginar perfeitamente que, sem barreiras adequadas, nossas prisões voltarão a ser (ou continuarão sendo) uma barafunda sem qualquer controle do que acontece lá dentro: drogas, armas e celulares chegarão em profusão às mãos de pessoas que certamente não foram selecionadas para estar lá por suas boas ações.
Prender e não vigiar é pior que não prender. E, infelizmente, não há como escolher quem deve ou não ser controlado: mesmo juízes e promotores devem deixar do lado de fora quaisquer objetos cujo ingresso no ambiente prisional seja vetado. Se a vigilância não for universal, será por qualquer brecha que passarão os “contrabandos”. Além disso, ser revistado é, por outro lado, uma garantia para a própria pessoa que ingressa, ficando livre de suspeitas.
É bem verdade que essas revistas sempre têm algo de constrangedor. É possível tomar várias medidas para reduzir a invasividade: serem executadas por pessoas do mesmo sexo, utilizar detectores de metal, raios-x e outros equipamentos etc. Contudo, o bom senso e a longa experiência dos administradores do sistema prisional não permitem hesitações.
Nenhum sacrifício da segurança pode ser admitido nesses locais e, infelizmente, todos os que devam ingressar – inclusive os próprios policiais penitenciários – devem ser verificados. A própria essência do encarceramento como forma de punição e/ou garantia de segurança implica sacrifício de outros direitos incompatíveis com a manutenção do ambiente correcional livre de elementos indevidos ou influências perniciosas e ameaças.
Direito é bom senso concentrado e engarrafado.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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