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Segurança públicas

O assassinato em Cachoeiro e o combate aos crimes patrimoniais

É um lento processo de experimentar as estratégias que dão melhores resultados, identificar e sanar carências. Até mesmo criar estatísticas mais confiáveis será um enorme desafio, porque a subnotificação dos crimes patrimoniais fica em torno de 80%

Publicado em 13 de Outubro de 2024 às 01:00

Públicado em 

13 out 2024 às 01:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Essa tragédia que se abateu sobre a família do prefeito de Cachoeiro e comoveu todo o Espírito Santo parece contradizer os números recentes de redução nos crimes patrimoniais, com a relativa exceção do estelionato, que diminuiu no último ano, mas vem em uma trajetória acelerada desde a pandemia.
O crime foi terrível mesmo, e muitos dirão que não faz diferença o fato de os suspeitos terem sido presos quase imediatamente, já que não devolverá a vida do casal executado, mas estão equivocados.
É claro que teria sido muito melhor se esse latrocínio houvesse sido evitado, mas quantos crimes não deixarão de acontecer para dali em diante? Quantas outras vítimas não foram poupadas sem sequer imaginar? Não há como a polícia estar em todos os lugares todo o tempo, e os bandidos só precisam de alguns instantes para perpetrar todo tipo de crueldade. Basta que fiquem observando o melhor momento para agirem.
Além de fazer justiça e dar um pequeno alívio aos parentes e amigos do casal, um excelente trabalho policial posterior é, infelizmente, a maneira mais efetiva de reduzir a violência como um todo, de forçar as estatísticas para baixo. Uma investigação bem-sucedida não muda muita coisa em relação ao passado, mas é uma das principais ferramentas para construir um futuro de maior segurança.
E é preciso reconhecer, além dessa prisão imediata, vários outros bons resultados na prisão de quadrilhas especializadas em roubo de automóveis e caminhões, bem como de outra em assalto a farmácias.
Há bastante tempo vínhamos vaticinando que, com a expressiva redução dos homicídios, estava se abrindo a oportunidade para um combate mais intenso aos crimes patrimoniais e é o que está acontecendo. Claro que não será um passe de mágica, como também não foi com relação aos assassinatos que, diga-se de passagem, ainda precisam cair muito.
É um lento processo de experimentar as estratégias que dão melhores resultados, identificar e sanar carências. Até mesmo criar estatísticas mais confiáveis será um enorme desafio, porque a subnotificação dos crimes patrimoniais fica em torno de 80%.
Aliás, fica aqui a sugestão: o índice mais certeiro é o de furtos e roubos de veículos, pois quase todos são devidamente comunicados às autoridades – na verdade, ocorre um fenômeno inverso: a supernotificação. É que o proprietário primeiro liga para o Ciodes, gerando um boletim de ocorrência; em seguida vai à delegacia de plantão e faz outro B.O.
Casal morto em Cachoeiro: aves alimentadas por idosa vão a hotel após crime
Casal morto em Cachoeiro: aves alimentadas por idosa vão a hotel após crime Crédito: Bruna Hemerly
E às vezes ainda procura a Delegacia Especializada em Furtos e Roubos de Veículos. Então tem crime registrado mais de uma vez. Só que aí, embora trabalhoso, é perfeitamente possível auditar os registros, excluir as repetições e obter informações fidedignas.
Outro ponto que merece ser ressaltado é que, além de trazer tranquilidade e sensação de segurança à população, uma redução nos crimes patrimoniais seria um fator de crescimento econômico e desenvolvimento social, além de, numa aparente contradição, resultar em menos gente presa. É? É! Pergunte-me como que eu respondo na próxima semana.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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