Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Pandemia

Fosso abissal entre alunos das redes privada e pública se aprofunda

Longos períodos sem a rotina de ir para a escola, de conviver com os colegas e professores, e mesmo uma grande inatividade em casa, tudo isso causará crescente dispersão

Publicado em 10 de Janeiro de 2021 às 06:00

Públicado em 

10 jan 2021 às 06:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff Henrique Herkenhoff
Fotos de sala de aula vazia - banco de imagens
Sala de aula vazia durante a pandemia Crédito: Pixabay
A pandemia tem sido cruel com todos, mas os prejuízos que vem causando não foram distribuídos igualitariamente. Enquanto algumas pessoas nem sequer parecem ter sido contaminadas e outras sofreram sintomas relativamente leves, certos grupos de risco mais frequentemente foram internados ou mesmo vieram a óbito. Da mesma forma, é muito provável que o ônus de tomar conta de crianças sem presença na escola tenha recaído preferencialmente sobre mulheres, prejudicando-as profissionalmente.
Assim como os profissionais da saúde atenderam ao clamor da população e ao dever de seus ofícios, granjeando o reconhecimento da sociedade, é o momento de muitos outros contribuírem para um cuidadoso retorno à normalidade. Não que seja possível simplesmente decretar a Covid como debelada, mas no sentido de manter funcionando o que é essencial.
Em 2020, por todo o Brasil, escolas privadas tiveram os recursos, a competência e a necessidade econômica de manter aulas telepresenciais com a qualidade mais elevada possível, além de aulas presenciais alternadas mediante um protocolo de segurança sanitária, materiais e atividades diferenciadas.
Enquanto isso, os alunos da rede pública tiveram muito, mas muito mais perdas no seu aprendizado. Infelizmente, isso não é tudo. Longos períodos sem a rotina de ir para a escola, de conviver com os colegas e professores, e mesmo uma grande inatividade em casa, tudo isso causará crescente dispersão e redução do pertencimento, enfraquecimento das relações sociais e pedagógicas que, mais do que o quadro negro, constituem a estrutura invisível do ambiente escolar.
Lastimavelmente, o fosso abissal entre os alunos da rede privada e da pública não apenas se aprofunda, como esse processo se acelera a cada dia. Políticas de aprovação automática e de cotas podem facilitar o ingresso nas universidades, mas não compensarão as perdas no aprendizado e não removerão os obstáculos no prosseguimento dos estudos.
Por outro lado, é alarmante o risco de aumento na evasão escolar. Está mais que estabelecida a relação entre o ingresso no crime e o abandono dos estudos, que se dá principalmente na passagem do ensino fundamental 1 para o fundamental 2. Quanto mais demorarmos a retomar ao menos aulas presenciais alternadas, é muito provável que aconteça uma evasão escolar muito superior à média, já por si trágica, até porque o reagrupamento e o retorno total serão ainda mais lentos.
Bem, se isso conforta, a sociedade não precisa se preocupar. Se não tomarmos conta de nossas crianças, o traficante toma.

Henrique Herkenhoff

Henrique Herkenhoff Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande
Aliados de Ricardo e Casagrande querem o PSD, só não sabem o que fazer com Hartung
Convenção do PSB confirma candidatura de Casagrande ao Senado
PSB oficializa em convenção candidatura de Casagrande ao Senado
Imagem de destaque
'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema de saúde do Paraguai leva pacientes a se endividarem

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados