A perspectiva de reduzir certos comportamentos pela repressão criminal tem mais sucesso em alguns casos, em outros, menos. Não damos todos a mesma importância a determinada recompensa ou punição, e alguns simplesmente não conseguem abrir mão de uma vantagem imediata por uma ameaça futura. Além disso, o ser humano simplesmente não é tão informado e racional em suas escolhas como gostamos de pensar.
Se um traficante for preso, seus clientes obterão a droga de outro fornecedor, no mesmo ou em outro local. Já quanto ao roubo, não existe uma fila de pessoas desejando ser assaltada, não existe “pressão de demanda”, motivo pelo qual um criminoso dessa espécie, quando é retirado de circulação, não será substituído. Porém, tal como o traficante, o ladrão tende a repetir diariamente os seus crimes; por isso cada prisão previne eficazmente os roubos futuros, ao menos enquanto durar. Ademais, pesquisas científicas vêm confirmando que o tempo de condenação, nesses casos, parece ser suficiente para que haja uma decisão individual de não mais roubar.
Pelo fato de se apresentar como uma empresa local e grande empregadora de mão de obra infantojuvenil, o tráfico vive em queda de braço com a escola para saber qual será mais atraente. Já o roubo é um meio de vida individual, ainda que com comparsas: não há recrutamento.
Boas escolas ainda podem oferecer melhores alternativas profissionais, mas não são tão determinantes nas escolhas de um pequeno número de jovens que deseja viver à margem da sociedade e de suas regras de convívio, preferindo a adrenalina e o prestígio dentro de seu subgrupo a estratégias de sobrevivência mais seguras e conformes à opinião geral.
Penas muito severas raramente aplicadas são intimidações vãs, irrelevantes. O que importa não é a gravidade da punição, mas a sua certeza. O que é facilitado pela repetição: mais cedo o mais tarde, o mandrião será apanhado e condenado, ainda que não por todos os seus crimes. Como consequência, os crimes patrimoniais podem ser eficazmente combatidos prendendo aqueles ladrões mais ativos e violentos.
O problema reside no fato de que quase não são elucidados, não porque a investigação em si seja difícil – pelo contrário – mas porque o efetivo não é suficiente para realizar diligências. Se você não é preso em flagrante, pode estar quase certo da impunidade. Contudo, diferentemente do homicídio, uma taxa de resolução de 1 ou 2% já é impactante contra o roubo. Ou seja, essa não é uma guerra sem esperanças.