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Inteligência

Como a tecnologia pode ser mais um agente de segurança pública

Temos visto, por exemplo, as inúmeras aplicações de drones, seja na guerra, seja na agricultura, seja na produção de imagens etc. Ora, se até os traficantes os estão utilizando, com mais razão as autoridades públicas deveriam intensificar o seu uso

Públicado em 

10 set 2023 às 00:20
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Cerco Inteligente
Cerco inteligente em Vitória Crédito: Carlos Antolini
Saindo, embora não totalmente, da polêmica sobre o recente tiroteio na Avenida Leitão da Silva, é interessante notar o papel que a tecnologia sempre desempenhou na segurança pública. No caso concreto, o veículo com os suspeitos foi localizado por câmeras inteligentes, que funcionaram muito bem, mas, é claro, não realizam sozinhas todo o trabalho.
Aos olhos de hoje, pode não parecer, mas o uso de automóveis e do rádio já foi um gigantesco diferencial em favor das polícias, pois o criminoso geralmente fugia a pé. Com um trânsito muitas vezes caótico, e os meliantes se evadindo em motocicletas ou mesmo em bikes, aquilo se perdeu. Contudo, a ciência está sempre desenvolvendo novos recursos. Às vezes é a polícia quem se aproveita deles, outras são os malfeitores, como são os inúmeros casos de cibercrimes e golpes na internet.
Temos visto, por exemplo, as inúmeras aplicações de drones, seja na guerra, seja na agricultura, seja na produção de imagens etc. Ora, se até os traficantes os estão utilizando, com mais razão as autoridades públicas deveriam intensificar o seu uso. O problema é que, até onde sabemos, não existem no mercado opções especialmente desenvolvidas para a função policial. Os de uso militar geralmente são espantosamente caros e embarcam funcionalidades que seriam de pouca ou nenhuma utilidade ao lidar com bandidos; ou são drones suicidas, mais baratos, mas que servem como pouco mais que misseis teleguiados. Já os demais, direcionados para o uso civil, geralmente padecem de uma autonomia limitada e outras restrições tecnológicas que diminuem sua usabilidade pelas forças policiais.
De qualquer forma, mesmo os drones mais caros têm custo de aquisição e operação relativamente módicos se comparados a helicópteros, por exemplo, com a vantagem de não expor a vida da tripulação. E, tal como as aeronaves de asas rotativas, não enfrentam maiores obstáculos em seu deslocamento, podendo usar instrumentos óticos e informáticos para enxergar de perto o que se passa em terra, para otimizar as luzes do espectro visível ou trabalhar com radiações infravermelhas etc. Têm, portanto, um enorme potencial para serem usados no patrulhamento em geral, orientando as equipes em terra, de dia ou de noite, na maioria dos casos sem sequer serem percebidos pelos suspeitos.
Claro, a informática também tem permitido o processamento de avassaladoras quantidades de informação, o que seria impossível para o ser humano, atuando na identificação de impressões digitais, análise de bancos de dados ou de informações nas redes sociais etc. Entretanto, em nenhum caso a tecnologia realmente substitui o ser humano, apenas potencializa suas capacidades. O policial será sempre necessário, mas, munido de instrumentos proporcionados pela ciência, pode estar sempre alguns passos à frente dos bandidos. Contudo, também falta treinamento em tecnologia para policiais, resultando na escassez de mão de obra qualificada para operar novas ferramentas tecnológicas. Outro problema é a dificuldade de integração entre ferramentas.
O problema é que muitas vezes a tecnologia, em si, está disponível, mas falta aproximar as instituições policiais do mercado produtor, para que esse ferramental seja desenvolvido e disponibilizado para uso específico das corporações de segurança interna, papel que o governo federal bem poderia desempenhar, por exemplo através da Senasp, visto que cada corporação, isoladamente, é um consumidor de porte muito menor do que todas alinhadas.
Falta, também, uma liderança integradora dos esforços isolados. Como exemplo positivo, o governo federal disponibilizou o SINESP CAD que é uma solução de suporte a serviços públicos emergenciais, que permite a integração do atendimento de forças de segurança pública e outros órgãos, possibilitando a gestão de recursos e diminuindo o tempo de resposta nas ocorrências, além de melhorar o planejamento operacional.
Com coautoria de Landa Carretero Nunes Marques Sartori, subsecretária da Guarda Municipal de Vila Velha e mestranda em Segurança Pública/UVV

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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