Tenho ouvido sustentarem que, em razão da menor natalidade, ou seja, menos crianças e, portanto, menos alunos, o Brasil poderia reduzir os seus gastos em educação. Contudo, é fácil perceber que estamos longe de obter resultados aceitáveis, apesar de ligeiras melhoras aqui e ali, como no último Ideb.
E, como é óbvio, um bom ensino é indispensável não apenas para oferecer às novas gerações melhores e mais igualitárias oportunidades no mercado de trabalho e, por outro lado, aumentar a produtividade e aquecer a economia. Conhecimento prévio também é necessário, por exemplo, para que debates eleitorais e campanhas de orientação sanitária cheguem à população. Para quem tem dificuldades em ler, até um santinho ou uma cartilha serão desafiadores.
Evasão escolar, baixa escolaridade e envolvimento com o crime estão claramente correlacionados. Para tornar isso ainda mais triste, geralmente ocorre no segundo ciclo fundamental, isto é, no antigo ginasial. Contudo, também está bastante claro que o processo de desinteresse e falta de pertencimento à escola começa nas primeiras séries.
Outra realidade óbvia é que as crianças das classes menos favorecidas vêm sendo cada vez mais duramente atingidas pela falta de estrutura em seu próprio lar. Cada vez mais, as escolas precisam suprir aquilo que nem sempre as famílias oferecem, e não estamos falando somente de alimentação, mas de lazer, orientação e até mesmo afeto.
Seja para melhorar os resultados de aprendizado, seja para prevenir a evasão escolar e a passagem para a criminalidade, a estratégia mais eficiente é, claramente, ofertar o turno integral, especialmente no ensino fundamental. Uma vantagem adicional seria favorecer o trabalho feminino, a inserção das mulheres no mercado de trabalho, na medida em que se reduziria a preocupação das mães, sobre quem recai a maior parte desse cuidado, com o que fazem seus filhos enquanto elas estão no serviço.
Em termos econômicos, a educação pública é um investimento de médio prazo, pois seus efeitos somente são percebidos na medida em que os jovens ingressam no trabalho. Na segurança, contudo, a espera é curta, os desdobramentos são quase imediatos: cada criança ou jovem que esteja na escola hoje não estará na delegacia amanhã. O mesmo se pode dizer da igualdade de oportunidades profissionais entre os gêneros: os ganhos ocorrem no dia seguinte. Esperamos que tudo isto entre no debate eleitoral.