Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Políticas públicas

Gestor público não tem escolha senão fazer escolhas. Boas, de preferência

No final do dia, ele opera em um mundo imperfeito – e precisa de uma bússola para navegar decisões que raramente são triviais

Publicado em 30 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

30 ago 2020 às 05:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Superlotação em presídios
Lotar ou esvaziar prisões, aumentar a quantidade de policiais ou de professores: essas escolhas, antes de ideológicas, devem ser orientadas por informações produzidas de maneira sistemática e confiável Crédito: Fábio Vicentini/Arquivo A GAZETA
Com  coautoria de Ana Paula Martínez*
O governante deve optar entre diferentes medidas para enfrentar problemas que, ao mesmo tempo, competem com outras demandas da sociedade, impossíveis de serem todas contempladas com recursos limitados. Não temos escolha senão fazer escolhas. As melhores possíveis, de preferência.
Se perguntarmos a alguém quanto vale a sua vida, certamente ouviremos que ela não tem preço. Contudo, se lhe propusermos pagar mais em um automóvel com air bags que o protegerão em caso de acidente, inevitavelmente serão feitas contas, ainda que inconscientes. Qual é a probabilidade de me envolver em uma colisão grave? Estou disposto a usar um modelo menos luxuoso, porém mais seguro? Vale a pena pagar um valor adicional pela proteção conferida pelo air bag?
Aliás, aos que se recusam a fazer avaliações de custo-benefício porque a “vida não tem preço” vale uma pergunta: e se compararmos duas políticas públicas utilizando como “moeda” a quantidade de vidas “salvas”? Imagine que o SUS tem de escolher entre comprar anticoagulantes ou respiradores para os infectados com o  novo coronavírus. Como gastar o dinheiro? Se o critério a ser utilizado não é o de “maximizar” vidas salvas, qual seria?
No final do dia, o gestor público opera em um mundo imperfeito – e precisa de uma bússola para navegar decisões que raramente são triviais. Ao colocar racionalidade nas decisões do gestor, seremos acusados de “utilitarismo”. Contudo, mesmo em sua formulação inicial, a ideia de maximizar os ganhos e minimizar as perdas nunca se baseou na afirmação de que os fins justificam os meios, mas, sim, na de que boas intenções não absolvem maus resultados. Não existe ética em sacrificar a sociedade em favor de retórica que não se responsabilize pelos seus efeitos concretos.
Toda medida administrativa exige uma análise da relação entre custos e benefícios e também a comparação com outras alternativas não somente para atender àquela necessidade específica, mas também a outros interesses sociais legítimos. Certamente essa apreciação será difícil diante das incertezas do futuro e também porque lidamos com bens cujo valor não é patrimonial.
Lotar ou esvaziar prisões, aumentar a quantidade de policiais ou de professores, permitir ou não a aquisição de armas, todas essas escolhas, antes de ideológicas, devem ser orientadas por informações produzidas de maneira sistemática e confiável, processadas com as ferramentas desenvolvidas pela Economia.
Não que esses meios sejam perfeitos; apenas reduziriam a crônica ineficiência estatal brasileira. Essa á lógica do Decreto No. 10.411, de 30 de junho de 2020, que regulamenta a análise de impacto regulatório no âmbito do governo federal. Esperemos que sirva de inspiração para os governantes estaduais e municipais.
 A coautora é sócia de Levy & Salomão Advogados, ex-diretora do Departamento de Proteção e Defesa Econômica do Ministério da Justiça

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Bola e taça da Copa do Mundo 2026
Desinteresse pela Copa bate recorde e alcança 54% dos brasileiros, aponta Datafolha
Uma menina de 12 anos foi socorrida de helicóptero e levada para hospital em Vitória; outras quatro pessoas ficaram feridas
Acidente com três veículos deixa cinco feridos na BR 262
Imagem BBC Brasil
Quem são as vítimas e outras perguntas sobre os ataques a tiros de ex-soldado aos 7 filhos e outra criança nos EUA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados