Depois de três mandatos de Paulo Hartung e dois de Renato Casagrande no governo, o Espírito Santo encontra-se em uma posição inédita quanto a dados econômicos e sociais. Claro, não vivemos no melhor dos mundos, como ninguém vive em tempos atuais, mas esses dois gestores sanearam nosso Estado e o colocaram em ranking de destaque no cenário nacional.
É preciso ter muita atenção. Os candidatos que se apresentam como novos ou com novas propostas, seja à esquerda, seja à direita, poderiam retornar o nosso Estado ao caos em que estava antes das gestões responsáveis de Hartung e de Casagrande. Bom, essa é apenas a minha opinião, e ninguém é obrigado a concordar com ela. O que quero destacar aqui, é a data que comemoramos hoje: a colonização do solo espírito-santense, iniciada pelos portugueses, há 487 anos.
A maioria dos capixabas deve saber que o donatário Vasco Fernandes Coutinho chegou à sua capitania, a undécima doada por D. João III, a fidalgos de sua corte, no dia 23 de maio de 1535. Vasco já chegou maduro, com mais de quarenta anos e já tinha tido cargos importantes no império português, na África, na Ásia e tinha sido governador de possessões portuguesas na península Arábica, onde hoje se encontram Omã, Emirados Árabes, Bareim e Catar.
Por muitas décadas, os portugueses fizeram dali uma ponte entre as suas colônias de América, África e Ásia, com a sede centralizada em Goa, na Índia, possessão que manteve por mais de mais de 400 anos. Bravos e intrépidos portugueses!
Diferentemente de outros donatários, Vasco veio, pessoalmente, colonizar suas terras e, para isso, empenhou tudo que tinha em Portugal, propriedades e pensão vitalícia que recebera do Rei, para investir no Novo Mundo. Mas a História foi-lhe madrasta e os livros o registram como um fracassado, viciado em fumo, costume indígena abominado pelos cristãos da época, tendo morrido na miséria.
Isso não é verdade. Fake news, como se diz hoje. Ao contrário da maioria dos donatários, Vasco Coutinho manteve a posse e a autonomia de sua Capitania, que se tornou Província e Estado com o mesmo nome, Espírito Santo. S. Tomé, Porto Seguro, Ilhéus, Itamaracá, Sant’Ana, S. Vicente e outras desapareceram ou se tornaram, apenas, cidades.
A família dos Coutinho manteve a Capitania do Espírito Santo em seu poder de 1535 a 1675, por 140 anos. O último da família, Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, rico e letrado, foi governador de Pernambuco e governador-geral do Brasil, vendeu a capitania por 40.000 cruzados, uma fortuna na época. Vasco Coutinho não morreu pobre, ”sem um lençol que o cobrisse”, em Portugal, mas em sua Capitania, o seu “Vilão Farto”, que deixou para seu filho de mesmo nome. Seus ossos estavam numa arca na Santa Casa de Misericórdia, em 1682, conforme Mário Freire, em A Capitania do Espírito Santo.
Excomungado pelo bispo Sardinha, em 1553, em Olinda, por seu hábito de “beber fumo”, Vasco Coutinho se defendeu dizendo que “nessa terra o fumo cura os homens e as alimárias de muitas doenças”. O próprio superior dos jesuítas, Manuel da Nóbrega, em carta escrita em 1549, afirmou: “Todas as comidas desta terra são difíceis de desgastar, mas Deus remediou a isso por uma erva cujo fumo ajuda a digestão e a outros males corporais, pois purga a fleuma do estômago”.
Ele não sabia do câncer de pulmão, mas para isso muitos fumantes não ligam até hoje. Vasco não foi um vilão, nem um fracassado, mas um homem de seu tempo, corajoso, guerreiro, conciliador, que fundou uma capitania abençoada pelo nome de Espírito Santo, hoje, o nosso belo, diverso, misturado, plural Estado do Espírito Santo. Amém.