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Guerras pelo mundo

Precisamos nos desarmar e educar a sociedade para a paz

Urge uma campanha mundial de desarmamento. Para pacificar o planeta, precisamos destruir as armas de que dispomos

Publicado em 06 de Novembro de 2023 às 01:30

Públicado em 

06 nov 2023 às 01:30
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Se quisermos a paz, eduquemo-nos para ela e não para a guerra, como aprendemos desde cedo. No momento atual, existem guerras espalhadas por todo o mundo. A guerra em Gaza, de Israel contra a população palestina, pois não é só contra o Hamas, como a justificam, é apenas uma dentre tantas outras. A guerra da Rússia contra a Ucrânia sumiu dos noticiários, bem como a da Síria, que se prolonga há 12 anos, a do Iêmen, a do Sudão e tantas outras mais.
O Oriente Médio virou um barril de pólvora. Israel, apoiado pelos EUA e por nações europeias, liderado por um extremista louco, não vai sossegar enquanto não exterminar a maior parte dos palestinos. Seria mais fácil parar a guerra e discutir a paz. O que os palestinos querem é um Estado seu, reconhecido por Israel e pelo mundo. Há 75 anos lutam por isso e ainda não tiveram seu direito reconhecido.
Urge uma campanha mundial de desarmamento. A poderosa indústria bélica norte-americana, russa, chinesa, iraniana, israelense, vive e se enriquece da produção de armas e de alimentar guerras pelo mundo. Para pacificar o planeta, precisamos nos desarmar e destruir as armas de que dispomos. Vimos o que aconteceu, recentemente, com as poderosas metralhadoras no arsenal de guerra do exército brasileiro: foram desviadas por militares para bandidos. E isso acontece de forma generalizada nos quartéis Brasil afora, ou não teriam os bandidos tantas armas para usar contra a população.
A utopia cristã franciscana “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz” é o maior desafio da humanidade. Vejo nos grupos de WhatsApp que as pessoas nasceram para brigar: uns defendem as bruxas, outros, o saci. Se lhes derem uma arma, se matarão para defender suas opiniões.
Viver para a paz não é fácil, pois o instinto humano de animal violento e predador aflora a cada fechada no trânsito, a cada palavra agressiva de alguém, a cada gesto mal compreendido, a cada interpretação equivocada. Nessas horas, é bom mesmo não ter nenhuma arma de fogo, pois a reação humana é a de matar o outro que nos contradiz, e o “onde houver ódio que eu leve o amor” vai pras cucuias.
Na verdade, não deveriam existir armas de qualquer tipo, pois, para matar, o ser humano não precisa delas. Qualquer pedaço de pau, pedra ou objeto atirado em alguém pode ser letal. Davi derrubou Golias com uma simples pedra atirada de uma seta ou atiradeira, instrumento usado pelos povos originários para matar pássaros para se alimentar, tendo sido a primeira arma que aprendemos a fazer, quando éramos crianças. Simples e mortífera. Ainda hoje, os jovens palestinos a usam contra soldados israelenses, nas intifadas. A facilidade com que se comercializam armas de fogo, nos dias atuais, principalmente após a sua liberação no último governo, levou a índices alarmantes de morte por arma de fogo.
Para se entender as causas da violência humana, leia-se “O Coração do Homem. Seu Gênio para o Bem e para o Mal”, de Erich Fromm. Segundo ele, “A maldade é um fenômeno especificamente humano. É a tentativa de regressar ao estado pré-humano e de eliminar o que é especificamente humano: razão, amor, liberdade. [...] O mal é a perda de si mesmo pelo homem, na trágica tentativa de escapar ao fardo de sua humanidade. E o potencial de mal é tão maior, por ser o homem dotado de imaginação que lhe possibilita imaginar todas as possibilidades para o mal e assim desejar e agir segundo elas, para alimentar sua imaginação má”.
Para ele, o ser humano deverá ser educado para se tornar consciente e escolher o bem, mas nenhuma conscientização ajudará, se tiver perdido a capacidade de se comover com a desgraça do outro e de sentir a beleza do mundo. “Se o homem se torna indiferente à vida, não há mais esperança de poder escolher o bem; então, o seu coração terá endurecido tanto que a sua vida terá terminado”. Pode-se eliminar as armas da sociedade, mas o grande desafio é educá-la para a paz.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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