Isso está ocorrendo em muitas famílias. Quando começam os noticiários da hora do almoço ou do jantar, desligam a televisão ou tiram as crianças da frente delas. É terrivelmente prejudicial à saúde psicológica e mental das crianças, e mesmo dos adultos, viver ou comer bombardeado de notícias ruins: assaltos, estupros, homicídios, feminicídios, acidentes, como se a vida fosse só isto: notícias ruins.
Assim como o Congresso Nacional está discutindo a regulação de transmissão de fakenews pelas redes sociais, deveria também se criar uma legislação para o excesso de badnews veiculadas pelas redes de canais abertos, em horários em que as crianças estão saindo da escola ou indo para elas.
As crianças não vivem num mundo diferente do nosso, mas nem elas nem os adultos precisam, nos momentos mais importantes de sua vida física, a de se alimentar, serem lembrados de que o ser humano é, instintivamente, ruim, perverso, que mata o outro por qualquer motivo e que, além de matar, se espelha no outro que mata, para replicar o mal.
Qual será o motivo para, todo dia, o jornal televisivo começar com uma notícia do tipo “criança é estuprada e morta pelo pai”, “jovem é assassinada a facadas”, “professor sai pra comprar pão e recebe pauladas na cabeça”? Estou falando apenas das últimas que vi e ouvi nesses dias.
Se elas fossem transmitidas às seis da manhã, ou às dez da noite, tudo bem, poucas crianças assistiriam, mas, ao meio-dia e às 19h, não, melhor desligar a televisão. Se estivesse numa situação dessa, Deus me livre e guarde, como diria a saudosa Rita Lee, não gostaria de ser objeto dessa curiosidade mórbida e insensível, que ajuda a propagar o mal da humanidade, sem que nada disso a ajude a se tornar melhor.
Onde estão as notícias positivas, as pautas culturais, a divulgação de eventos esportivos, as vitórias, as conquistas, os bem-feitos da humanidade? Não se divulgam mais lançamentos de livros, e há muitos, exposições artísticas, apresentações teatrais, bons shows musicais gratuitos, festas da comunidade, eventos religiosos e tanta coisa boa produzida pela sociedade, muito maior do que as ruins.
Estamos na Semana dos Museus. Por que não fazer belas matérias sobre os museus capixabas? Amanhã é o dia da colonização do solo espírito-santense, Vila Velha está em festa, pois comemora 488 anos, uma das mais antigas povoações portuguesas no Brasil. Há muitas atrações para todos, visita a seus vários museus, Casa da Memória, Homero Massena, Forte S. Francisco Xavier, Convento da Penha, Farol de Santa Luzia, Artesanato da Barra do Jucu, Sarau da Academia de Letras e muitas outras atrações para todos os gostos, no Parque da Prainha e em outros lugares. Por que não as divulgar? O povo quer diversão e arte.
Em Vitória, no Palácio Anchieta, há uma das melhores exposições que já vi por aqui, com precioso acervo do IHG Nacional e artistas locais, patrocinada pela Vale. Estive lá e estava vazia. Deveria ter fila na porta. Em Jardim da Penha, há a exposição interativa da obra de Leonardo da Vinci, um dos maiores sábios da humanidade. Levem as crianças e jovens para aprender e curtir.
A mídia, de modo geral, não está cumprindo seu papel de informar corretamente, quando opta por mostrar somente o lado ruim da humanidade. Isso se chama liberdade (de expressão), que, segundo Freud, “não constitui um dom da civilização”. Para ele, “O desenvolvimento da civilização impõe restrições a ela, e a justiça exige que ninguém fuja a essas restrições”. A exposição massiva do “instinto animal” em nada ajuda o processo civilizatório.
Respondemos a esses instintos com a “sublimação”, aspecto evidente do desenvolvimento cultural. “É ela (a sublimação) que torna possível às atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas, ideológicas, o papel tão importante de uma vida civilizada”. Mais uma vez, Freud explica e precisa ser lido também nos cursos de Comunicação.