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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Chegou a hora de dar adeus a este agosto de desgostos

Da volta do Talibã ao poder às queimadas por todo o Brasil, agosto foi marcado por más notícias. A esperança chega em setembro com a primavera e a expectativa da ampliação da cobertura vacinal no país

Publicado em 30/08/2021 às 02h00
Afeganistão
Os evacuados lotam o interior de uma aeronave de transporte C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EUA, levando cerca de 640 afegãos de Cabul, Afeganistão, para o Qatar, em 15 de agosto de 2021. Defense One. Crédito: Reuters/Folhapress

Agosto chega ao final, finalmente. Na tradição popular, é um mês aziago. Se para o poeta inglês T.S. Elliot, abril é o pior dos meses, para nós, do hemisfério sul, a milhas e milhas da primavera europeia, o mês de agosto é o final do inverno, nem tão frio, mas seco que dói.

E como dói ver o Brasil de norte a sul, leste a oeste, queimando. Por toda parte, há secura e queimadas. Incêndio destrói grande parte do Pantanal, da Chapada dos Guimarães, grandes rios como o Paraguai, lá, e o Doce, aqui, podem ser atravessados a pé e um filete escorre onde antes era uma torrente de água a inundar as planícies.

A Floresta Amazônica vai, a passos largos, sendo destruída e isso traz implicações à pouca chuva nas diversas partes do Brasil. O antes semiárido nordestino virou deserto mesmo. E podemos ver isso acontecer em outras regiões brasileiras, até mesmo no noroeste capixaba, onde há pouco mais de cinquenta anos imperava a exuberante Mata Atlântica.

Como se não bastasse, o mundo se estarreceu com a volta rápida do Talibã, no Afeganistão, e de mais um terremoto no Haiti, país que parece carregar todas as pragas do antigo Egito. Com a saída das forças aliadas norte-americanas daquele país asiático, em poucos dias, os guerrilheiros barbudos e armados até os dentes, em nome de Alá, o misericordioso, e de Maomé, seu Profeta, ocuparam as principais cidades afegãs e tomaram Cabul, a capital, assumindo o governo do país.

Durante os vinte anos de ocupação ianque, eles se armaram, se organizaram, provavelmente financiados por alguma potência inimiga dos EUA e pelo comércio de ópio e de heroína, de que são os maiores produtores mundiais. Deveriam ou não os americanos e seu presidente tomar a decisão que fizeram, não nos cabe julgar. Quanto ao povo afegão, resistirá, mais uma vez, com a morte de milhares de pessoas, sobretudo mulheres e crianças, enquanto uma horda deles tentará, mais uma vez, chegar à Europa e aos EUA, independentemente de qualquer cerca que os queira obstaculizar.

O que nos espanta, ainda, a essa altura do século 21, é ver como a barbárie está viva no mundo, como pessoas falam em nome de Deus, pátria, família, sustentados por armas de grossos calibres e de alta letalidade, sem exercitar o diálogo, sem o uso de raciocínio, sem o balizamento das leis.

E isso acontece em várias partes do mundo, e não só no Afeganistão, e poderia ocorrer até aqui, se já não tivéssemos uma democracia consolidada, uma imprensa livre, um Judiciário independente e uma maioria que não quer a volta a nenhuma ditadura, seja de esquerda, seja de direita, civil ou militar.

A minoria que almeja esse retrocesso é constituída de viúvas da ditadura, de jovens marombados que saem em motociatas suicidas e não de jovens que usam motos e bicicletas para trabalhar, entregando tudo, nestes tempos de pandemia para todos e de negacionismo para alguns.

Que venham setembro e a primavera. Que todos completemos o ciclo vacinal. Não precisamos vestir camisa amarela e sair por aí em apoio a um presidente ignóbil e boçal. O Brasil é de todas as cores, de todos os credos, de todas as religiões e não pode ser refém de pessoas que falam em nome de Deus, mas não praticam o amor ao próximo e sim seu extermínio.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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