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É doutor em Letras, professor e escritor

Além de boas escolas, volta às aulas requer profissionais valorizados

Nenhum país alcança o desenvolvimento sem educação de qualidade e essa não pode ser eficiente com profissionais mal preparados e mal pagos

Publicado em 17/02/2020 às 05h00
Atualizado em 17/02/2020 às 05h01
Educação precisa de escolas bem estruturadas e profissionais valorizados. Crédito: Prefeitura de Vitória
Educação precisa de escolas bem estruturadas e profissionais valorizados. Crédito: Prefeitura de Vitória

Após o recesso escolar de janeiro, as escolas voltam às aulas, em fevereiro. É um período de muita apreensão para pais, professores e alunos, pois não se sabe com o que se vai deparar. Como tivemos um janeiro com muitas chuvas, principalmente no Sul do Estado, muitas escolas tiveram sérios problemas de alagamento e de infiltração e não houve tempo suficiente para que todas as obras necessárias fossem feitas a contento para se reiniciar as aulas com segurança.

Todavia, acompanhamos pelas redes sociais o esforço do governador Casagrande e de sua equipe para ajudar os municípios a se reerguer do caos em que se encontravam e para que tudo volte à normalidade. Vi a satisfação com que Renato e sua esposa, dona Virgínia, entregaram à comunidade de Castelo, a reforma da Escola João Bley, onde estudou, a maior escola do Estado em área física, com quadra, piscina, laboratórios, biblioteca, auditório, tudo o que uma boa escola deve ter.

Também vi que o tradicional Liceu Muniz Freire, de Cachoeiro, inundado pelas chuvas, já está limpo e pronto pra iniciar mais um ano de sua quase centenária vida. A ajuda de um milhão de reais do famoso advogado cachoeirense Sérgio Bermudes deveria ser exemplo para todos os milionários que deveriam ajudar suas escolas de origem, onde estudaram e tiveram a base construída para ser o que são.

Infelizmente, os muito ricos, em nosso país, contribuem muito pouco para diminuir as grandes diferenças sociais em nosso país. Não se pode esperar somente que o governo faça sua parte, é preciso que todos deem a sua contribuição. E quanto mais se tem mais se deve contribuir.

Mas não são apenas as escolas antigas as beneficiadas. Acompanhei, com satisfação, a inauguração da escola Dr. Silva Melo, uma obra que se arrastava há nove anos e que, agora, é entregue linda em folha à comunidade de Guarapari.

O atual governo estadual tem um robusto programa de reestruturação da rede física escolar, com aproveitamento de energia solar e muitas outras modernidades. Só espero que o investimento não seja apenas na parte física, mas também na humana, pois a educação é feita, sobretudo, pelos profissionais que a conduzem.

Professores e funcionários mal remunerados ou insatisfeitos não conduzirão a contento a educação ao fim a que se almeja. Nenhum país alcança o desenvolvimento sem educação de qualidade e essa não pode ser eficiente com profissionais mal preparados e mal pagos. Na Alemanha e nos países escandinavos, que têm a melhor educação do mundo, professores têm altos salários e são muito bem formados, ao contrário daqui.

Estudei numa escola rural, recém-inaugurada, com duas salas de aula e uma pequena pra direção. Não havia nada: livros didáticos, merenda, transporte escolar. No primeiro ano, nem cadeira para o aluno sentar havia. Mas tínhamos uma excelente professora, Dona Maria da Penha Nolasco de Carvalho, recentemente falecida aos 90 anos, a quem somos eternamente gratos, seus inúmeros alunos, por tudo que fez por nós. Descanse em paz, Dona Penha, exemplo para todos nós, professores.

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