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Crônica

Agosto não merece a fama: é o mês da esperança

Desastres e tristezas, violência e mortes há em todas as épocas. Janeiro, para mim, é mês de tristes lembranças. Por isso, não se justifica a triste fama do mês de agosto

Publicado em 11 de Agosto de 2025 às 03:00

Públicado em 

11 ago 2025 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Para muitos, agosto é o mês do “desgosto” ou do “cachorro louco”. Pura crendice! Para os que vivem em contato com a natureza e têm a capacidade de observar os seus pequenos sinais, agosto é o mês da esperança, já que o inverno está chegando ao final e tudo se prepara para receber a primavera, em setembro.
Em agosto, florescem as azaleias, dendróbiuns e oncídiuns, plantas e orquídeas multicoloridas que alegram a vida com as suas cores lilases, rosas e amarelas predominantes. As aves saíram da muda e, de plumagem nova, retomam seus cantos e iniciam o período de reprodução. Por todo lado, há ninhos sendo feitos e pássaros se acasalando. É a época do namoro e de se construir as casas, para receberem os filhos.
As árvores que perderam as folhas e secaram começam a se tingir de cores como os ipês e as acácias, colorindo a vida seca de final de inverno; roseiras e gladíolos rompem seus primeiros botões, preparando-se para explodir em cores, em setembro.
Desastres e tristezas, violência e mortes há em todas as épocas. Janeiro, para mim, é mês de tristes lembranças. Por isso, não se justifica a triste fama do mês de agosto. Ele é o fim de um ciclo natural da vida, que se inicia com a primavera, em setembro. Daí, as muitas mortes, sobretudo de idosos, em agosto. É natural.
Cecília Meireles, em sua poética sabedoria, nos dizia que é preciso aprender, com a natureza a, depois de secar e perder as folhas no inverno, rebrotar na primavera. Agosto é o mês da esperança da vida, uma “promessa de vida em seu coração”. Não é o fim do caminho, mas a retomada de forças para o início de um novo percurso. Independentemente do tarifaço do estrupício, das guerras do mundo e da insanidade dos ditadores, a vida prossegue e, em todo canto, floresce, a cada amanhecer.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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