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Luto

Morte de um poeta: Blank é mais um na estatística dos assassinatos no ES

Sérgio Blank foi mais uma vítima da violência, tornando-se parte da estatística estadual que revela 594 assassinatos ocorridos de janeiro a junho deste ano, um número 20% maior do que o do ano passado

Publicado em 03 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 ago 2020 às 05:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

O escritor Sérgio Blank
O escritor Sérgio Blank foi encontrado morto em sua casa. A polícia investiga o caso Crédito: Fernando Madeira
Sérgio Luiz Blank (1964-2020), poeta capixaba, foi eleito para a Academia Espírito-santense de Letras em junho de 2020, em disputada eleição com outros candidatos inscritos. Alguns de seus amigos o intitulavam de o maior poeta capixaba, título difícil de ser aferido, tal o número de bons poetas capixabas existentes.
Só na Academia Espírito-santense de Letras, temos Humberto Del Maestro, Matusalém Moura, Ester Abreu, Gracinha Neves, Wanda Alckmin, Ítalo Campos, Anaximandro Amorim, Adilson Vilaça, Jorge Elias, Fernando Achiamé, Jô Drumond, Evandro Moreira, Marcos Tavares, Oscar Gama, Carlos Nejar, Luiz Busatto, Getúlio Neves, Magda Lugon, todos excelentes poetas.
Após a sua eleição, Sérgio me procurou e solicitou, como presidente da AEL, que marcasse logo a sua posse, pois aguardava um transplante de fígado e temia não poder esperar muito. Assim o fizemos e, no dia 22 de julho de 2019, Sérgio Blank tomou posse na cadeira 09 da AEL, sucedendo ao professor Américo Barbosa de Menezes, na presença de muitos amigos e conterrâneos de sua Cariacica natal.
Foi saudado por Fernando Achiamé, que discorreu sobre sua trajetória de poeta, iniciada aos 20 anos, com a publicação de seu primeiro livro “Estilo de ser assim tampouco”, em 1984, a que se seguiram “Pus”, 1987, ”Um”, 1989, “A Tabela Periódica”, 1993, “Vírgula”, 1996, e o clássico infantojuvenil “Safira”, 1991, livro com várias reedições.
Sérgio Blank passou mais de 20 anos sem publicar e, em 2017, sua obra completa saiu pela Editora Cousa, com o título “Os Dias Ímpares”. Nesse período, Sérgio atuava como produtor cultural, na divulgação do livro e da leitura e como oficineiro de produção poética, além de lutar contra uma cirrose que o destruía lentamente.
Em 2019, Sérgio Blank publicou sua última obra, “Blue Sutil”, livro composto de uma prosa poética minimalista, delicada, repleta de ternura e de uma verve irônica e sutil que acompanhava sua produção literária em sua visão de mundo e da miséria humana. O ressurgimento literário de Sérgio Blank foi uma alegria para nós, seus amigos, que o acompanhávamos e respeitávamos o seu silêncio.
Com o advento das redes sociais, Sérgio angariou muitos amigos e seguidores, principalmente entre os jovens poetas, que com ele se identificavam e muitos leitores que curtiam e compartilhavam seus posts líricos, sarcásticos ou de amor ao livro e à leitura. Sua última ação nas redes sociais foi a criação do grupo “Ex Libris”, em que divulgava quadros e tiras sobre o livro e a leitura, sua paixão.
No dia 22 de julho de 2020, exatamente um ano após a sua posse na AEL, Sérgio Blank foi mais uma vítima da violência, tornando-se parte da estatística estadual que revela 594 assassinatos ocorridos de janeiro a junho deste ano, um número 20% maior do que o do ano passado. Provavelmente, um crime de homofobia, uma tipificação inexistente nas anotações policiais, o que dificulta a confirmação desse tipo de homicídio do cidadão do grupo LGBT.
Sérgio nos deixa para ir se juntar a seus amigos, Amylton de Almeida e Lacy Ribeiro, essa também vítima da violência social como ele. Tomara esse crime não fique impune, como o de Lacy.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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