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Jornalista de A Gazeta há 10 anos, está à frente da editoria de Esportes desde 2016. Como colunista, traz os bastidores e as análises dos principais acontecimentos esportivos no Espírito Santo e no Brasil

Que a igualdade de premiações seja um novo início para o futebol feminino

CBF acerta ao igualar diárias e prêmios, de sua responsabilidade, para as seleções de futebol. Uma conquista significativa, mas cenário tem que melhorar ainda mais para as mulheres no esporte

Publicado em 06/09/2020 às 06h01
Futebol Feminino precisa ser mais valorizado no Brasil
Futebol Feminino precisa ser mais valorizado no Brasil. Crédito: Assessoria/CBF

O futebol feminino brasileiro, que já produziu jogadoras do calibre de Marta, Cristiane, Formiga e Sissi, é sempre muito lembrado em épocas de competições importantes, mas seu dia a dia é quase sempre ignorado por muitos. Mas guerreiras que são, as atletas seguem lutando pela modalidade e conquistando vitórias importantes fora dos gramados, em um campo, que para elas, historicamente, se mostra muito mais difícil de atuar. 

Na última quarta-feira (02), o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, confirmou que as diárias entre homens e mulheres na seleção brasileira serão iguais e não haverá mais diferença entre os gêneros. O mandatário ainda afirmou que a premiação, em caso de sucesso nos Jogos Olímpicos, será igual. Já os valores referentes à Copa do Mundo serão nivelados de acordo com as quantias oferecidas pela Fifa.

“Desde março deste ano, a CBF fez uma igualdade de valores em relação a prêmios e diárias entre o futebol masculino e feminino. Jogadoras recebem diária igual aos homens. Aquilo que elas ganharem por premiação em Olimpíadas será o mesmo que homens. Copa do Mundo será igual proporcionalmente ao que a Fifa oferece. Não há mais diferença de gênero. CBF está tratando de forma equânime homens e mulheres”, contou Rogério Caboclo em entrevista.

Após o anúncio de Caboclo, surgiram milhares de comentários nas redes sociais repercutindo a decisão da CBF. Muitos afirmando que não é justo, já que o futebol masculino é muito mais rentável para patrocinadores, movimenta uma quantidade maior de dinheiro, possui mais visibilidades… dentre outros argumentos. Boa parcela desse discurso realmente se confirma na prática, mas isso atualmente é uma questão de mercado, que pode e deve caminhar para ser revista, como já aconteceu em outras modalidades como o tênis,  que já igualou as premiações nos grand slams de Wimbledon e Roland Garros, e do basquete americano na WNBA, que no início desse ano anunciou reajuste significativo nos salários e nas premiações.  

Rogerio Caboclo também anunciou que mais mulheres vão ocupar os cargos relacionados ao futebol feminino
Rogerio Caboclo também anunciou que mais mulheres vão ocupar os cargos relacionados ao futebol feminino. Crédito: Lucas Figueiredo/CBF

No Brasil, a Confederação Brasileira de Vôlei, há anos disponibiliza premiações iguais no vôlei de praia mostrando que é possível valorizar mais o espetáculo, e os atores independentemente do sexo. A CBF, como instituição, toma a decisão correta em igualar esses valores na esfera pela qual é responsável. Afinal, são homens e mulheres que usam a mesma camisa, disputam as mesmas competições, treinam nos mesmos ambientes. Não há por que diferenciar a remuneração. Que esse posicionamento seja um exemplo a ser seguido para outras confederações ao redor do mundo. 

Trata-se de uma vitória significativa para o futebol feminino. Que seja uma de muitas que ainda precisam acontecer. O esporte tem apelo no Brasil, vide a mobilização que foi provocada após a transmissão em TV aberta da última Copa do Mundo Feminina de Futebol. O Campeonato Capixaba mesmo viu o número de equipes triplicar: sair de três para nove participantes. Mas é preciso de mais cuidado, investimento e estrutura. Que a postura da CBF possa ser um pontapé inicial que mude a forma como o esporte é tratado no Brasil.

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