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Atos golpistas

Não podemos nos descuidar da defesa da democracia

No Brasil, as primeiras respostas aos ataques aos Três Poderes foram rápidas e efetivas, como precisa acontecer nas situações em que crimes são praticados

Publicado em 14 de Janeiro de 2023 às 00:15

Públicado em 

14 jan 2023 às 00:15
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

No dia 6 de janeiro de 2021 eu ainda desempenhava as funções de adido policial federal nos Estados Unidos quando vi, atônito, as imagens da invasão ao Capitólio. Uma multidão de criminosos, insatisfeitos com a legítima vitória do presidente Biden, invadiu o Congresso dos Estados Unidos para protestar e tentar impedir que o presidente democraticamente eleito tomasse posse.
O saldo da barbárie foram 5 mortos e mais de 50 policiais feridos, além de uma mácula eterna na história da sólida democracia americana. Na ocasião, cheguei a publicar um artigo onde narrei alguns detalhes do que aconteceu naquele dia que ficou marcado como um dos mais tristes da democracia estadunidense.
Na época, tive oportunidade de conversar com vários americanos com quem eu me relacionava (republicanos, que se identificam com a ideologia mais à direita, e democratas, mais afeitos à esquerda) e todos foram unânimes em condenar, efusivamente, os atos de barbárie praticados pelos criminosos travestidos de manifestantes.
Aquele momento histórico e dantesco fez surgir, na maioria de nós, sentimentos diversos. De minha parte, fiquei perplexo e confesso, temeroso. Ora, se uma democracia sólida e secular como a dos Estados Unidos estava sujeita ao até então impensável, o que poderia ser de democracias mais jovens como a brasileira? Por outro lado, o repúdio aos criminosos manifestado por republicanos e democratas despertou em mim a esperança de que aquele período tenebroso seria superado e que o respeito à democracia voltaria a reinar.
Jamais imaginei, naquele momento, que dois anos depois viveríamos situação tão semelhante no Brasil. Os ataques às sedes dos Poderes em Brasília foram, provavelmente, a mais triste página da história da nossa jovem democracia. Muito mais que a prática de crimes repulsivos, consistentes na vandalização das sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, os criminosos buscavam, como resultado de seus atos, uma ruptura institucional. Buscavam, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos, evitar que o presidente eleito democraticamente, pela maioria dos brasileiros, exerça o mandato para o qual foi escolhido pela maior parte da nossa sociedade.
Dois anos depois da tentativa de golpe nos Estados Unidos, com a prevalência da lei, da justiça e sobretudo da democracia, o presidente eleito, Joe Biden, tem desempenhado sua missão e os criminosos que invadiram o Capitólio estão pagando o preço imposto pelo sistema criminal americano.
Recentemente, dois membros do grupo de extrema-direita Oath Keepers (identificados como líderes do movimento que levou à invasão do Capitólio) foram condenados a 20 anos de prisão. Outras dezenas de indivíduos, que também participaram do ataque ao Congresso americano, têm enfrentado duras consequências judiciais.
Aqui no Brasil, as primeiras respostas aos ataques aos três Poderes foram rápidas e efetivas, como precisa acontecer nas situações em que crimes são praticados. Aliás, a firmeza das instituições é fundamental num momento como este, em que tentam atacar de morte um dos bens mais preciosos de qualquer sociedade civilizada, a democracia.
Por parte da Polícia Federal, continuaremos trabalhando muito para identificar e apresentar provas contra todos aqueles que, de alguma forma, atentem contra o sistema democrático brasileiro. Realizando investigações técnicas, de qualidade e republicanas teremos, assim como aconteceu nos Estados Unidos, os responsáveis pelos crimes praticados devidamente identificados e punidos. Essa mensagem é fundamental! É também fundamental que nunca mais atentem, quem quer que seja, contra a democracia do Brasil, obtida a duras penas e tão cara a todos nós.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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