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É juiz do Trabalho, mestre em Processo, especialista em Direito do Trabalho e estudante de Economia. Neste espaço, busca fazer uma análise moderna, crítica e atual do mercado e do Direito do Trabalho

Retomada do emprego ainda está longe do ideal no Brasil

Se as notícias são animadoras, o contexto ainda é sombrio. O Brasil ainda conta com absurdos mais de 14 milhões de desempregados

Publicado em 06/07/2021 às 02h00
O Espírito Santo, de um modo geral, terminou o ano passado com um saldo positivo de 6.812 postos de empregos
Dados animadores não podem ser atribuídos precocemente a uma retomada econômica ou à conduta governamental no tocante ao combate ao coronavírus ou à economia. Crédito: Agência Brasil

Boas notícias têm sido divulgadas recentemente em relação à retomada da economia e geração de empregos. Se a situação ainda está longe do ideal ou, ao menos, distante de uma rota constante e consistente de crescimento e desenvolvimento econômico, ao menos trazem algum alívio. Mas, é claro, devem ser vistas de forma contextualizada.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), apenas no mês de maio o mercado de trabalho abriu 280.666 novas vagas com carteira de trabalho assinada. No acumulado anual, houve uma abertura de 1,233 milhões de postos sobre o período anterior (de um 2020 altamente dilacerado pela crise sanitária).

Para alcançar o número, tira-se a diferença entre as vagas geradas e as dispensas. Em maio, por exemplo, foram contratados 1,548 milhão de trabalhadores, enquanto outros 1,268 milhão de contratos foram rescindidos. Ainda assim, é importante observar que o número de dispensas reduziu, algo na ordem de 0,3% para abril (que teve 1,271 milhão de novos desempregados).

Outro dado importante é a diversidade de vagas, seja setorial, seja regionalmente. Serviços tiveram um saldo positivo de 110.956 postos, enquanto no comércio foram 60.481, 44.146 na indústria, 42.526 na agricultura e, na construção, outros 22.611. Espalhadas pelo país, foram 161.767 novas vagas no Sudeste, 36.929 no Sul, 37.266 no Nordeste, 17.800 no Norte e, por fim, no Centro-Oeste outras 26.926.

Entretanto, todos esses dados animadores não podem ser atribuídos precocemente a uma retomada econômica ou à conduta governamental no tocante ao combate ao coronavírus ou à economia. Esses resultados advêm de diversos motivos que, de todo modo, podem nortear os próximos passos tanto da iniciativa privada quanto das autoridades governamentais.

Um primeiro aspecto a ser analisado é a contratação reprimida desde março, com aquela nova onda pandêmica que, com políticas restritivas, obstou diversas admissões que, represadas, só puderam ser efetivadas a partir de maio, quando as medidas de isolamento começaram a ser flexibilizadas, permitindo um gradual aumento de consumo e novas adaptações de trabalho.

Quanto à imunização em massa, ainda que haja alguma expectativa de ocorrer por aqui nos próximos meses, no cenário internacional diversos países já atingiram a imunidade de rebanho, o que os levou a uma rápida recuperação econômica, dando algum impulso à economia local. O sucesso da vacinação estrangeira, portanto, tem parte da culpa pela geração de empregos nacional.

Por fim, algumas políticas públicas também tiveram sua importância e merecem encômios. O programa de preservação de emprego e renda de 2020, bem como sua renovação em 2021, ainda que pouco tardia, trouxeram algum alento ao empresariado, além de ter mantido diversos empregos temporariamente estáveis, o que impediu o aumento das dispensas.

Enfim, se as notícias são animadoras, o contexto ainda é sombrio. O Brasil ainda conta com absurdos mais de 14 milhões de desempregados. Com aumento da inflação, qualquer medida que a combata pode resultar em mais dispensas (curva de Phillips). Não bastasse, em que pese a farta mão de obra disponível, o país passa por um “apagão de mão de obra” (Globo, 04/07/2021), devido à imensa falta de qualificação desses milhões. Para uma efetiva retomada da economia com geração de empregos, ações governamentais dedicadas à educação são imprescindíveis, mas esta não parece ser uma preocupação.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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