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É juiz do Trabalho, mestre em Processo, especialista em Direito do Trabalho e estudante de Economia. Neste espaço, busca fazer uma análise moderna, crítica e atual do mercado e do Direito do Trabalho

Tecnologia deve ser usada a favor da dignificação do trabalho

Fato que chocou o meio corporativo e trabalhista na última semana foi a dispensa em massa de professores de uma universidade por meio de aviso num “pop-up” que se abria na tela, quando o catedrático acessava o sistema on-line

Publicado em 30/06/2020 às 05h00
Atualizado em 30/06/2020 às 05h02
Conheça as tecnologias que permitem controlar os ambientes de casa pelo celular
Tecnologia e trabalho. Crédito: Pixabay

A cada dia surgem notícias das quais a única lembrança de algo similar vem da literatura ou cinematografia, dramas com ou sem distopias futuristas, que se imaginava inviáveis. Pelo visto, nem tanto.

Fato que chocou o meio corporativo e trabalhista na última semana foi a dispensa em massa de professores de uma universidade por meio de aviso num “pop-up” que se abria na tela, quando o catedrático acessava o sistema on-line. A crueza e desumanização do ato (que certamente não segue boas práticas de compliance), se opõe a um aconselhável e corajoso tête-à-tête, num momento de necessária sensibilidade e empatia, e demonstra o mau uso das novas tecnologias, desconectando pessoas e subordinando a vontade humana à eficiência fria da lógica digital e algorítmica.

O filme “Up in the air” (2009) trata exatamente do tema, tendo George Clooney a função de mostrar o quão importante é o trato humanizado neste delicado momento da relação de emprego. Ele se opunha a um então novo modelo de dispensa por videoconferência, o que, 11 anos depois, seria por nós considerado um avanço, comparado à prática do “pop-up”.

Há cerca de um ano foi noticiado que uma gigante companhia de vendas pela internet punia e dispensava empregados pela plataforma, com um algoritmo que, identificando a baixa produtividade ou o descumprimento de prazos pelo trabalhador, enviava automaticamente uma advertência ou a carta de dispensa.

O que não seria isso senão a direta submissão do ser humano à máquina? Dentre as várias ficções sobre o tema, limito-me à filosófica trilogia “Matrix” (1999, 2003): um universo controlado por máquinas que aprisionam seres humanos em uma plataforma virtual que mimetiza o nosso mundo atual. Nessa ficção, pasme, houve mais empatia que a dispensa por “pop-up”, afinal, a matriz só teve êxito quando humanizou o sistema (de forma prolixa é isso que o Arquiteto explica ao herói Neo. Estou certo Rafael Braz?).

O que se quer dizer é que novas tecnologias, assim como a própria economia, devem trabalhar para melhorar as condições da humanidade, com eficiência na produção e distribuição de recursos escassos, aumentando o bem-estar e a evolução social.

Um bom modelo de tecnologia que conectou positivamente pessoas veio da estadunidense Heavenly Organics, empresa que é paradigma de negócio sustentável e gestor de stakeholders: seu algoritmo, em segundos, encontrou uma pequena produção de mel em uma distante, erma e conflituosa região no interior da Índia e a colocou em contato com clientes do outro lado do globo, levando renda e desenvolvimento social a pelo menos 650 famílias carentes. Tudo isso preservando o meio ambiente.

Histórias felizes como essa não são utopias, tampouco inspiram a indústria cinematográfica, mas são os modelos motivadores do empreendedorismo e do mercado do futuro. O uso responsável e comprometido das novas tecnologias a serviço das pessoas (reais) é fator crucial para o amadurecimento social e a dignificação do trabalho humano.

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