De espião da KGB, serviço secreto da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Vladimir Vladimirovitch Putin tornou-se um dos maiores inimigos e ameaça à humanidade. Em meio ao caos em seu governo, Boris Iéltisin escolheu Putin para o cargo de primeiro-ministro e, desde 1999, transitando entre os postos de chanceler e presidente, Putin controla a Rússia de modo nitidamente autocrático, basta ver a censura no país e notícias de perseguição e assassinato de opositores.
Herdeira do arsenal militar da extinta URSS, a Rússia é uma das maiores potências militares do mundo, sobretudo, quanto a armas nucleares. Quando da dissolução da União Soviética, como forma de garantir sua independência, países como a Ucrânia, que tinha um dos maiores arsenais nucleares do planeta, tiveram que se desmilitarizar. Porém, anos após, a Rússia aproveita-se dessa situação para tentar, mais uma vez, de modo sub-reptício, tomar o poder de Kiev.
Não é de hoje que Putin tem planos de expandir seus domínios, inclusive, em 2014, a Ucrânia sofreu um forte ataque russo, ocasião em que a estratégica península da Criméia foi tomada pelos russos, quase que um prenúncio do que Putin estava planejando para os anos seguintes. Putin também abasteceu grupos rebeldes e paramilitares em diversos países da região.
Nos últimos tempos, entretanto, começaram a surgir alertas acerca de uma nova e mais potente investida russa contra a vizinha Ucrânia, país, inclusive, que historicamente está na genealogia do povo russo, isto é, dos ucranianos descenderam os russos. A despeito de todos os pedidos e sanções econômicas da comunidade internacional, na última semana, confirmando que já estava se planejando há tempos para uma guerra, Vladimir Putin determinou às tropas russas a invasão de um país independente e autônomo, invocando como falsa justificativa a defesa da paz e evitar que russos que vivem na Ucrânia sofressem “bullying”.
Mas, como já antecipado pelas lideranças mundiais, de paz a ação de Putin nada tinha, era pura sanha belicosa. Putin não pretende reativar a União Soviética, mesmo porque, de comunista a Rússia atual não tem nada, são os grandes oligarcas do capitalismo russo que sustentam o regime ditatorial do país. O que o ditador russo anseia, a bem da verdade, nada tem a ver com comunismo ou socialismo. Sua intenção é ampliar as fronteiras russas e, com isso, aumentar sua zona de influência, comportamento típico de líderes autocráticos e nacionalistas.
No afã de buscar seus objetivos espúrios, em meio a uma pandemia, colocou a Europa e o mundo em alerta, com o temor de uma nova guerra de proporções mundiais, já que Putin não tem limites. Apesar de uma resistência ucraniana superior à prevista pelos russos, as tropas de Putin têm conseguido avançar pelo país, gerando intenso caos social, político, econômico e humanitário.
Com sua vaidade costumeira, típica de narcisistas com pitadas de psicopatia, Putin não aceita negociações, haja vista que, para negociar, ambas as partes têm de estar dispostas a fazer concessões. Para impôr o medo, a escalada das agressões russas tem se recrudescido, utilizando armamentos proibidos por tratados internacionais, como as bombas de fragmentação.
Se não bastasse, os ataques levianos da Rússia à Ucrânia não têm poupado nem sequer os civis que tentam salvar suas próprias vidas, citando-se as imagens de um tanque russo que amassou um carro com um idoso dentro e os ataques a hospitais e prédios residenciais e comerciais. O que o mundo tem visto ocorrer na Ucrânia são fatos extremamente graves e que devem levar Putin a julgamento no Tribunal Penal Internacional, já que cometeu crimes de genocídio, de guerra e contra a humanidade.
A ação de Putin é genocida porque tem o claro intuito de destruir a Ucrânia para tomar o poder. Quando Putin decide atacar a Ucrânia, perseguindo e matando população civil para buscar fins políticos, comete crime contra a humanidade. Também há crimes de guerra porque os ataques de Putin são totalmente desarrazoados, já que não pouparam civis que não apresentavam resistência, nem mesmo aqueles que estão em hospitais, prestes a ficar desabastecidos.
Dada a gravidade e a agressividade das ações de Moscou, a comunidade internacional precisa dar uma forte e incisiva resposta a Putin, isolando a Rússia do contexto internacional até que o país não represente mais uma ameaça à humanidade. Do contrário, Putin continuará acreditando que está com as portas abertas para fazer o que bem entender para ampliar sua zona de domínio.