O tarifaço de Trump, que impôs a alíquota de 50% sobre a importação de produtos brasileiros, é o indicativo de como o patriotismo reverso da extrema direita pode custar caro ao Brasil. Licenciado do cargo de deputado federal, Eduardo Bolsonaro decidiu morar nos Estados Unidos justamente para tentar convencer as autoridades daquele país a atuar pela anistia dos envolvidos na trama golpista, incluindo sanções americanas ao Brasil.
Foi-se a época em que patriotismo legítimo era orgulhar-se de ser brasileiro e vestir a camisa verde e amarela da Seleção Brasileira de futebol, algo que hoje muitos abandonaram, quer seja para evitar serem confundidos com bolsonaristas (já que os extremistas tentaram monopolizar até as cores da bandeira, como se fossem os autênticos defensores da pátria), seja pelo desempenho da Seleção em campo, aquém do que estávamos acostumados.
Àquela época, não muito remota, o patriotismo significava que, por mais que os brasileiros se queixassem dos problemas do país, eles não gostavam que estrangeiros atacassem o Brasil. Assim, questões internas eram resolvidas no âmbito interno, afinal de contas, por mais que muitos não queiram, o Brasil é uma nação independente e, por isso, goza de autonomia para ditar seus próprios rumos.
O fato de a extrema direita estar diretamente envolvida e até ter comemorado a decisão de Trump de taxar ainda mais os produtos brasileiros indica o surgimento de um nível ainda mais profundo do famigerado estilo de oposição popularmente conhecido como “quanto pior, melhor”.
Além de o tarifaço ter decorrido das investidas de extremistas contra políticos estadunidenses, eles querem também explorar o episódio politicamente nas eleições de 2026, acreditando que uma possível turbulência econômica e piora na qualidade de vida dos brasileiros podem ser utilizadas como estratégia eleitoral contra Lula, caso ele de fato venha a disputar a reeleição.
Dessa vez, diferentemente dos idos da ditadura militar, ninguém disse “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Foram eles, Eduardo Bolsonaro, Allan dos Santos, Carla Zambelli e afins que escolheram deixar o Brasil. No caso do filho de Bolsonaro, a situação é ainda pior: ele abandonou o cargo de deputado federal para morar no exterior e, lá, deliberada e declaradamente, conspirar contra a própria nação.
A questão tarifária e também a da soberania nacional são de tamanha relevância que a própria independência dos Estados Unidos remete a precursores históricos, como o Boston Tea Party, quando a então colônia inglesa, revoltada com tributos cobrados pela Inglaterra considerados abusivos, lançou o carregamento de chá de três navios da Companhia Britânica das Índias nas águas do porto de Boston.
É de Ulysses Guimarães, no clássico discurso como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, a seguinte reflexão: “A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da pátria.” Aos extremistas não basta afrontar a Constituição e tentar dar um golpe de Estado; eles querem ainda mais: conspirar contra a pátria no exterior.