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Efeitos econômicos

Tarifaço de Trump: saiba o que o Brasil exporta para os EUA

Estados Unidos é o segundo país que mais recebe mercadorias produzidas no Brasil. Decisão trumpista tem reflexo em diversos setores brasileiros

Publicado em 10 de Julho de 2025 às 12:27

Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 jul 2025 às 12:27
Infográfico mostra qual é o maior parceiro comercial de cada estado brasileiro.
SÃO PAULO - Numa carta dirigida ao presidente Lula (PT) e publicada na quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) e saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para especialistas, a decisão não tem motivo econômico, mas ideológico.
Apesar de a China ser hoje o principal destino dos produtos brasileiros, o país norte-americano fica em segundo lugar no ranking das vendas. A maioria dos itens vendidos são petróleo, aço e café, mercadorias, aliás, de grande impacto para a economia nacional e também do Espírito Santo. O Estado capixaba é um dos mais afetados pela decisão trumpista.
Trump abriu a carta mencionando seu relacionamento com Bolsonaro, a quem chama de "líder altamente respeitado". Ele critica o julgamento do ex-presidente pelo STF no caso da trama golpista classificando-o como uma "caça às bruxas" e "vergonha internacional".
Esse ponto repete declaração dada pelo presidente americano na segunda (7), quando afirmou que o Brasil está fazendo uma "coisa horrível" no tratamento dado a Bolsonaro.
Trump também acusa o STF de violar a liberdade de expressão, citando ordens de censura "secretas e ilegais" contra redes sociais americanas.
O Supremo, principalmente com decisões do ministro Alexandre de Moraes, ordenou nos últimos anos a remoção de conteúdos e perfis acusados de disseminar fake news sobre o sistema eleitoral e atacar a democracia. Algumas dessas ordens envolveram empresas como X (ex-Twitter), YouTube e Meta.
A principal medida anunciada por Trump é a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos a partir de 1º de agosto de 2025. A medida é apresentada como resposta ao que classificou como injustiças comerciais praticadas pelo Brasil.
Essa sobretaxa, caso se confirme, será cobrada separadamente das tarifas setoriais, como a de 50% sobre o aço. Na carta, Trump também ameaça aplicar a mesma tarifa a produtos redirecionados por países terceiros.
O presidente dos EUA afirma que a relação comercial entre os dois países tem sido "muito injusta" e "não recíproca". Ele aponta as políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil como barreiras que prejudicam os EUA e cita déficits comerciais como ameaça à segurança nacional. Os EUA, no entanto, registraram superávit com o Brasil nos últimos anos, isto é, exportaram mais do que importaram produtos brasileiros.
A carta também sugere que empresas brasileiras que decidirem produzir dentro dos Estados Unidos ficarão isentas da tarifa de 50%, e Trump promete agilidade para aprovar operações dessas empresas em solo americano.
Trump também afirmou que qualquer aumento de tarifas por parte do Brasil será somado aos 50% aplicados pelos EUA, similar ao que fez com países como Japão e Coreia do Sul nesta semana. Por exemplo, se o Brasil reagir com uma tarifa adicional de 10% sobre produtos americanos, a tarifa americana sobre o Brasil subiria para 60%.
O republicano também disse que pediu ao Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, que inicie uma investigação da Seção 301 contra o Brasil, um mecanismo da legislação americana usado para responder a práticas comerciais consideradas desleais que abriu caminho para as tarifas recíprocas gerais em abril.
No fim da carta, Trump diz que as tarifas podem ser revistas se o Brasil abrir seus mercados e eliminar barreiras comerciais.

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