O 1º de Maio é uma homenagem ao trabalhador e à importância social do trabalho. A escolha da data faz alusão a uma greve iniciada em Chicago, no dia 1º de maio de 1886, cujo objetivo era a reivindicação por condições mais dignas de trabalho, sobretudo a redução da carga diária, que chegava a até 17 horas. Infelizmente, essa foi mais uma das manifestações de trabalhadores marcadas pela violência estatal, resultando em prisões e mortes de manifestantes.
Apesar de, em quase todo o mundo, a data ser celebrada em 1º de maio, nos Estados Unidos - onde ocorreu a manifestação que deu origem à data - o Dia do Trabalho é comemorado na primeira segunda-feira de setembro, supostamente para evitar a associação com os movimentos comunistas. Se essa moda pegar no Brasil...
Além da importância histórica da data, é ainda mais fundamental relembrar a relevância da conquista de direitos sociais pela classe trabalhadora. Isso porque, com a Revolução Industrial, apesar dos avanços tecnológicos, registraram-se retrocessos significativos nas relações de trabalho.
Alinhado ao liberalismo predatório, o que mais se exigia dos trabalhadores nas indústrias era uma produtividade desumana, tudo em nome do lucro. Naquele contexto, não era incomum que, nos ambientes insalubres das recém-chegadas indústrias, crianças trabalhassem ao lado de adultos. A carga horária não tinha limites, e aos trabalhadores eram impostas muitas e excessivas exigências, a despeito dos quase inexistentes direitos.
Após essa fase de intenso desrespeito à condição humana dos trabalhadores, com muito esforço, países ao redor do mundo começaram a reconhecer a chamada segunda geração de direitos humanos, assegurando minimamente direitos sociais aos trabalhadores. Todos esses esforços, entretanto, não foram suficientes para impedir que, nos dias atuais, as relações de trabalho voltem a se precarizar.
Apesar de os dados oficiais indicarem uma redução significativa e sustentada no nível de desemprego no país, a informalidade praticamente se tornou a nova regra - sobretudo após a reforma trabalhista efetivada durante o governo do então presidente Michel Temer - deixando os trabalhadores praticamente à margem, vítimas do descaso estatal. Afinal de contas, como o trabalhador pode negociar em pé de igualdade com os empregadores se ainda prevalece a máxima: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”?
Por isso, no 1º de Maio, apesar da importância de celebrar a data, é imprescindível buscar alternativas que conciliem a voracidade econômica com a função social do trabalho, garantindo o não retrocesso no campo dos direitos sociais. Que nunca mais os trabalhadores sejam vistos apenas como números responsáveis pela produção, mas sim como seres humanos que, por isso, devem ser respeitados e protegidos.