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Aumento de casos

Brasil ainda precisa aprender a conviver com o coronavírus

As medidas que a sociedade deveria ter incorporado durante a pandemia, como o aumento da higienização das mãos e a consciência de uma etiqueta respiratória, não servem apenas contra o coronavírus

Publicado em 17 de Junho de 2022 às 02:00

Públicado em 

17 jun 2022 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri Caio Neri
Os dados mais recentes sobre a situação epidemiológica da pandemia de Covid-19   no Brasil, que mostram uma elevação nas taxas de transmissão e de ocupação de leitos, confirmam que o país, os governos e a sociedade ainda não aprenderam a conviver com o coronavírus. Diz-se conviver porque a despeito da retirada das medidas de segurança pelos governos, o vírus continua circulando entre nós e não dá provas de que tem a pretensão de nos abandonar tão cedo.
Se na constância das medidas ditas mais restritivas, no auge da pandemia, muitos já não seguiam as regras básicas e não havia fiscalização efetiva, com a flexibilização, o que se tem visto é uma grande despreocupação ou total falta de preocupação. O resultado, lamentavelmente, um tanto quanto previsível, foi o recrudescimento dos diagnósticos de Covid-19.
Mesmo em locais em que o senso comum levaria a acreditar que haveria mais preocupação com o combate à pandemia, como no caso da Universidade Federal do Espírito Santo, o exemplo não tem sido dado a contento. Diversos relatos de professores e alunos da Ufes indicam que falta até sabonete em banheiros da universidade. Assim como fora dos campi, as máscaras têm sido abandonadas mesmo em ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Falta testagem em massa à comunidade acadêmica.
Nas ruas não é diferente. Um ou outro usa máscara e aqueles que não o fazem, muitas vezes, na falta do obstáculo físico, acabam cedendo ao hábito de levar a mão ou dedos ao nariz, olhos e boca. Se não se quer usar máscara, ao menos dever-se-ia reforçar a higienização das mãos e evitar levá-las ao rosto. Não custa lembrar que o coronavírus não está extinto e não é visível a olho nu.
Isso sem contar o grande número de pessoas que não voltaram para completar o esquema vacinal e os asseclas de movimentos negacionistas, que duvidam do papel dos imunizantes conquanto acreditem piamente no poder terapêutico de medicamentos ou outras curas milagrosas prescritas nos grupos de WhatsApp.
Diante desse contexto, a pura e simples recomendação governamental para o uso de máscaras em determinadas ocasiões é ineficiente! Em vez de cumprir com um eventual objetivo de proteção, recomendar máscaras em vez de fixar pontos em que seu uso deveria ser obrigatório deixa a população com dúvidas, fazendo com que a utilização do mecanismo de proteção continue inteiramente a cargo das informações de que dispõe o cidadão ou de suas predileções meramente pessoais.
As medidas que a sociedade deveria ter incorporado durante a pandemia, como o aumento da higienização das mãos e a consciência de uma etiqueta respiratória, não serviriam apenas contra o coronavírus, podendo contribuir na profilaxia de uma série de doenças infectocontagiosas como sarampo, influenza, tuberculose, meningite, poliomelite, conjuntivite, infecção por salmonela, mononucleose, hepatite, infecções gastrointestinais, entre muitas outras.
O Brasil precisa aprender a conviver com o coronavírus caso não queira que medidas mais rigorosas tenham de ser impostas para evitar uma nova fase cruel da pandemia. A propósito, como diz o ditado, “prevenir é melhor que remediar”.

Caio Neri

Caio Neri Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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