Depois de dias e dias de campanha política para a eleição da presidência do Brasil, neste domingo (30) finalmente fomos às urnas. Em aproximadamente três horas e meia, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou o resultado final. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande vencedor dessa festa democrática que foi a eleição.
Mas essa vitória, apesar de representar a vontade popular, esteve várias vezes ameaçada por fake news, atos de violência cometidos pelos aliados do atual presidente às vésperas da eleição e, por fim, no próprio domingo (30), por uma série de operações nas rodovias federais do Nordeste do Brasil, que tinha por objetivo dificultar a chegada de eleitores a suas seções de votação, justamente na região do país onde se sabe que Lula seria o favorito.
Em que pese toda a máquina do estado brasileiro funcionando para a reeleição do atual presidente da República, ele não conseguiu. Lula, que já foi presidente duas vezes do Brasil, volta agora para um terceiro mandato numa condição muito diferente daquelas anteriores, quando foi eleito em 2002 e 2006.
O que é diferente desta vez é o fato de Lula hoje representar uma frente ampla e democrática, na qual se uniram vários partidos políticos e lideranças de diversos espectros da política para que fosse eleita uma pessoa capaz de liderar um nova transição para a democracia no Brasil. Os últimos quatro anos foram de muito sofrimento para a parcela mais pobre e mais vulnerável da população.
Mas não é só isso, a liberdade de imprensa vinha sendo diretamente atacada pelo atual presidente e seus apoiadores, a educação pública foi metodicamente sucateada e a saúde da população colocada em segundo plano. Durante os anos de pandemia ficou bem claro que o governo federal tem um descaso enorme pela vida humana.
Porém, somos um país formado em sua maioria por mulheres e negros; esse grupo se uniu e possibilitou a eleição de Lula, por meio de uma nova frente democrática que se formou, a fim de permitir que seja retomada a normalidade institucional no Brasil.
Foi emocionante ver os mais importantes líderes mundiais reconhecendo publicamente a vitória de Lula, demonstrando verdadeira alegria e alívio de termos novamente o Brasil representado por uma pessoa que acredita na democracia e no diálogo para o melhor funcionamento não só de seu país, mas também da ordem mundial.
Novas ameaças e bravatas que se ouvem desde segunda-feira (31), com chamadas inclusive para a prática de crime de golpe de estado, infelizmente, ainda encontram eco nas mentes e corações das pessoas que não se importam com a democracia. Muitos há que preferem um déspota no poder que mantenha seus privilégios, a ver um país retomando o debate público democrático com a participação de toda a população.
Esse foi o recado de Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro discurso após o resultado final das eleições: “Eu vou governar para todos os brasileiros e brasileiras, não somente para aqueles que me elegeram”. Vejam a diferença de Lula para Bolsonaro e a grandeza de espírito do presidente eleito. Lula sabe que numa democracia o governante deve governar em nome de todos, já Bolsonaro continua achando que o posto de presidente da República é o de um líder de torcida que trabalha somente para os seus apoiadores e associados.
O Brasil venceu, acabou a idade das trevas instalada por um governo fascista que durou quatro anos, voltaremos a ser um país feliz, alegre e querido por todo o mundo.