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Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes e da ANDHEP

Você pode fazer a diferença aos refugiados no interior do ES

Fome voltou a bater às portas dos brasileiros e também dos refugiados, os quais por falta de cadastros e documentos não podem receber os alimentos e auxílios. Você pode ajudar com doações ou trabalho voluntário

Publicado em 30/12/2020 às 05h00
Atualizado em 30/12/2020 às 05h00
Mulher estendendo a mão
Estenda a mão ao próximo: que o ideal acolhedor e de hospitalidade do povo brasileiro renasça e possa estar presente neste fim de ano. Crédito: pressfoto/Freepik

Neste final de ano você também pode fazer a diferença na vida de algum refugiado no interior do Espírito Santo! 2020 foi  muito difícil para quase todas as pessoas no planeta, aqui no Brasil e, particularmente, no Estado, não foi diferente. Muitas tiveram que se reinventar após perderem os seus empregos, fontes de renda, ou até mesmo os mais básicos auxílios filantrópicos.

Em 2020, a pandemia da Covid-19 que atingiu fortemente todo Brasil foi sentida de forma excepcional na Venezuela, nosso país vizinho que já vivia uma crise humanitária sem precedentes antes mesmo do início da pandemia. A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em visita à Venezuela ainda em junho de 2019, já reportava que a situação de violação de direitos humanos naquele país era dramática.

Hoje sabemos, de acordo com relatório conjunto da Organização Internacional para Migrações (OIM) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA), divulgado em novembro de 2020, que: “Os níveis de fome e deslocamento [que] já estavam em níveis recordes antes da pandemia de Covid-19, agora podem aumentar drasticamente com cada vez mais pessoas buscando emprego para sustento de suas famílias”.

Nesse relatório conjunto, a OIM e o PMA alertam, ainda, que: “a pandemia aumentou a insegurança alimentar e a vulnerabilidade entre migrantes, famílias dependentes de remessas e comunidades forçadas a deixar suas casas por conflitos, violência e desastres”.

Essa situação de escalada exponencial da crise humanitária vivida na Venezuela e por seus cidadãos foi sentida aqui no Espírito Santo, em especial nos projetos de extensão desenvolvidos pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello do Alto Comissariado da ONU, que funciona desde 2015 em parceria com a Ufes.

A Cátedra vem enfrentando desde março deste ano um desafio enorme para atender aos refugiados e migrantes forçados que vivem no Espírito Santo. Desde sua criação, a Cátedra realiza projetos de extensão para atendimento da comunidade de migrantes forçados capixabas seja por meio da oferta de aulas de línguas portuguesa e árabe, por meio de atendimento jurídico ou auxílio para redação de currículos profissionais e recolocação no mercado de trabalho, ou acompanhando a revalidação de diplomas e reingresso de refugiados em cursos superiores nas universidades do país.

Todavia, o que se viveu a partir de março de 2020 foi sem precedentes em relação ao trabalhos que realizávamos anteriormente. Como bem alerta o relatório conjunto da OIM e do PMA, passamos a vivenciar uma questão de segurança alimentar entre os refugiados e migrantes forçados vivendo no Espírito Santo.

Mantivemos, graças ao esforço de voluntários, os cursos de idiomas, bem como os atendimentos jurídicos via internet, porém, a cada dia nos chegavam mais e mais notícias de famílias passando fome. No interior, um grande grupo de famílias refugiadas vivendo em cidades do Sul do Estado, em cidades que já tinham sido atingidas pelas fortes chuvas no início de 2020, passaram a sofrer também com a pandemia.

A fome que havia sido praticamente erradicada do Brasil, voltou a bater às portas dos brasileiros e também dos refugiados, os quais por falta de cadastros e documentos não podem receber os alimentos e auxílios que foram entregues pelos governos aos cidadãos brasileiros em situação de vulnerabilidade semelhante.

Com a ajuda de missionários de Organizações não Governamentais, como o Projeto Ninho e a YouFlow Yoga, doações de muitas pessoas particulares e de entidades religiosas, como a Igreja Missão da Praia da Costa e a Primeira Igreja Batista de Goiabeiras, foi possível recolher doações e entregar alimentos numa periodicidade quinzenal desde março até os dias de hoje.

O nosso 2020 foi desolador, pois percebemos que os primeiros a perderem seus empregos ou colocações informais no mercado de trabalho capixaba foram as pessoas estrangeiras, em especial as mulheres estrangeiras, que muitas das vezes são as responsáveis pelo sustento de um grande grupo de familiares.

Mas a esperança nos fortalece, pois além das doações recebidas durante todo ano, neste final de ano continuamos recebendo doações de alimentos e estamos entregando em todo o Estado, para que nesses dias não faltem o básico, o mínimo de dignidade que o alimento representa.

Pedimos, por fim, que o ideal acolhedor e de hospitalidade do povo brasileiro renasça e possa estar presente não só nas grandes cidades da Região Metropolitana do Espírito Santo, como também nas localidades mais distantes, muitas vezes sequer atendidas por redes de internet e de transporte. Se você mora em alguma cidade com população de refugiados e migrantes estrangeiros, entre em contato conosco, a sua doação e o seu trabalho voluntário serão muito bem-vindos: [email protected].

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