Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Série

Ms. Marvel: uma heroína muçulmana e orgulhosa de sua origem paquistanesa

Muitos críticos já têm dito que é a melhor série da Marvel dos últimos tempos, e com certeza é a série que reúne de forma surpreendente e respeitosa o debate sobre as duas grandes religiões da península indiana: o hinduísmo e o islamismo

Publicado em 13 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 jul 2022 às 02:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi Brunela Vincenzi
A maioria de nós provavelmente já ouviu falar de Mahatma Gandhi e sua luta pacífica pela independência da India, após mais de duzentos anos de domínio inglês. Sua morte, em 1948, por um extremista hindu ainda causa tristeza e indignação ao redor do mundo. Gandhi lutou com as armas do direito e do diálogo. Utilizando-se da doutrina da desobediência civil do direito inglês, uma espécie de resistência pacífica, Gandhi conseguiu mobilizar um grande número de adeptos ao redor de todo o país.
Mas mesmo o movimento de decolonização da Índia e a luta pacífica de Gandhi não impediram a partição do país em 1947, quando  foi criado o Paquistão em um território incrustado no Nordeste da Índia para onde deveriam se mudar todos os muçulmanos. A ideia era criar um país para os muçulmanos e que o território da Índia ficasse para a maioria hindu.
Muito distante de acabar com o conflito, a partição entre os adeptos das duas religiões, como é conhecida a divisão entre Índia e Paquistão feita como último grande ato do governo inglês antes de deixar a colônia, passou a fomentar a disputa entre paquistaneses e indianos, além de iniciar uma outra disputa sobre o território da Caxemira.
A discriminação e o preconceito religioso são o pano de fundo da disputa atual entre Índia e Paquistão, mas também são o enredo que se desenvolve na nova série da Marvel, "Ms. Marvel". Baseada na história de vida de uma família paquistanesa que se muda para os Estados Unidos, a série traz uma heroína inusitada, muçulmana e orgulhosa de sua origem paquistanesa, mostra ao mundo um lado do país pouco conhecido: a cultura exuberante, alegria de viver e uma saudade nostálgica da vida antes da partição.
Muitos críticos já têm dito que é a melhor série da Marvel dos últimos tempos, sobre o que essa coluna realmente não pode opinar, mas com certeza é a série que reúne de forma surpreendente e respeitosa o debate sobre as duas grandes religiões da península indiana: o hinduísmo e o islamismo.
Ver uma adolescente descobrir a sua história e seus superpoderes no cenário fantástico da Karachi antiga, a cidade mais populosa do Paquistão hoje em dia e também o centro financeiro do país, emociona a todos que estão acostumados a ver nos filmes e séries da Marvel somente cidades do norte global, onde todas as coisas estão em seu lugar numa ordem falsamente estabelecida entre o bem e o mal.
A todos os fãs da Marvel e/ou aos adeptos da doutrina de vida de Gandhi, a nova série vem como uma lufada de novos ares, superando as narrativas dicotômicas entre o bem e o mal, quando o bem está representado sempre por um herói ocidental, que intrinsecamente representa os valores de uma civilização judaico-cristã.
Certamente, a série não retrata com total fidelidade todos os valores das cultura e religião muçulmanas, tampouco as disputas internas no Paquistão e Caxemira, mas com certeza é um ponto inicial de inflexão sobre as narrativas que estamos acostumados a ver nas telas de cinema e TV.
Se você ainda não assistiu, veja se consegue um tempinho para assistir à "Ms. Marvel" e tirar as suas próprias conclusões. Esta coluna ficará bem feliz em saber a sua opinião, escreva pra gente!

Brunela Vincenzi

Brunela Vincenzi Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ronival Moreira de Jesus, Ruan Moreira da Luz e Valdomiro Moreira de Jesus eram os trabalhadores que morreram no acidente
Desabamento que matou empresário e pedreiros no ES é investigado pela polícia
Imagem de destaque
Tribunal de Justiça, Sedu e Aracruz: 29 mil vagas em concursos e seleções
Suspeito de atos obscenos na presença de crianças é retirado de tumulto pela PM em São José do Calçado
Suspeito de ato obsceno contra crianças sofre tentativa de linchamento no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados