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Cidadania

É preciso retirar carga negativa da palavra "política" em nosso país

Certamente é mais fácil afastar-se do emaranhado de alianças e esquemas do cenário político brasileiro atual, mas deve-se cultivar o interesse dos jovens pelo debate público

Públicado em 

02 dez 2020 às 05:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

Ilustração de como o e-título mostra as informações do eleitor
Um dos alentos deste ano é a ativa participação de jovens da periferia nos processos eleitorais   Crédito: Reprodução/TSE
À medida que nos aproximamos do Natal e do fim de ano, começamos a ver as mobilizações de ações caritativas para auxiliar os menos favorecidos na nossa sociedade. Neste ano de 2020, porém, a lista de pessoas que dependem de ajuda externa para conseguir viver dignamente vem aumentando muito.
Com uma crise aguda na saúde, temos de conviver também com uma série de outras crises: a financeira, o alto índice de desemprego e, como ficamos sabendo pelo presidente da República ontem, uma crise energética também.
Por onde se olha, para onde se mira, a situação é desoladora. Mas equivoca-se quem acredita que a caridade natalina vai resolver todos os problemas deste país. É preciso mais, é preciso mudar a forma de pensar e se fazer política aqui.
Um dos poucos alentos que este final de ano está nos mostrando é a ativa participação de jovens da periferia nos processos eleitorais municipais. A movimentação histórica que uniu uma frente ampla da esquerda ao redor de Boulos em São Paulo demonstra essa retomada da consciência cívica pela juventude.
É certo que é pouco ainda, em especial quando vemos o alto índice de abstenções, votos brancos e nulos nessa última rodada das eleições para o segundo turno das votações em todo o país.
O descrédito na política em razão da corrupção praticada de forma corriqueira e usual por muitos políticos no Brasil é um fato que vem desde há alguns anos sendo debatido e considerado como causa dessa apatia eleitoral de uma parcela importante (numericamente) da sociedade.
Há, porém, outros fatores a serem considerados para a ausência de interesse e vontade de participar do processo político no Brasil. Difícil seria fixar uma causa ou um fator somente. Uma causa provável é o simples desinteresse mesmo da juventude sobre assuntos que vão além do seu círculos mais próximos de vida cotidiana.
Certamente é mais fácil afastar-se do emaranhado de alianças e esquemas que formam o cenário político brasileiro atual, ainda mais quando nem mesmo a esquerda consegue se unir em uma frente progressista ampla, para dar fim ao discurso de ódio, discriminatório e negacionista daqueles que estão atualmente nos cargos de poder no Brasil.
É preciso voltar a cultivar o interesse dos jovens pela arte da política, na sua acepção habermasiana, que prevê o debate público, a busca e divulgação de informações para o acesso a todos. Se não fizermos isso, as pessoas a quem esse estado de apatia aproveita continuarão no poder, e aqueles que realmente poderiam fazer alguma diferença continuarão isolados e indiferentes.
Uma outra possibilidade seria incentivar o ensino de direitos da cidadania nas escolas, cultivando e formando desde cedo nossas crianças para a prática política na sociedade.
O mais importante alcance dessas iniciativas seria retirar a carga negativa que acompanha a palavra política em nosso país, retomando a sua origem grega na pólis ateniense como local de debate público aberto e acessível a todas as pessoas.
Um desses locais, pela sua própria natureza plural, é a Universidade Pública. Assim, os diversos campi das universidades brasileiras poderiam ser fóruns de debates, centros de ensino para a juventude e até mesmo oficinas na busca de soluções alternativas para os temas atuais que afligem a população, como crise financeira, desemprego, racismo, desmatamento ambiental e crise energética.
Que o aprendizado decorrente da mobilização da juventude das periferias nessas eleições ao redor de candidatos da esquerda progressista possa servir de catalisador para um série de iniciativas diferenciadas que tenham por objetivo trazer toda a juventude brasileira para debater e buscar soluções para o Brasil.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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