Desde a última segunda-feira (03), os bastidores da economia capixaba andaram agitados com uma informação sobre a multinacional franco-americana TechnipFMC. A empresa, que está no Estado desde 1985, tem uma unidade fabril na área do Porto de Vitória, onde produz tubos flexíveis voltados para a indústria de petróleo e gás.
A operação e a manutenção das atividades da companhia no Espírito Santo, entretanto, virou dúvida nesta semana entre empregados da empresa, profissionais do setor e lideranças empresariais e políticas. A informação que circula é de que a Technip pretende deixar de realizar atividades no Estado e irá transferir operações de produção de tubos flexíveis para o Porto de Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro, onde já tem uma planta industrial.
Entre profissionais da empresa corre a notícia de que o negócio no Estado se manteria nos moldes de hoje até dezembro deste ano. Uma informação nesse sentido consta inclusive em um áudio vazado e que é atribuído a um diretor da companhia. Em um dos trechos há a seguinte mensagem de voz: “A gente encerra a produção de tubo flexível em Vitória ao final deste ano. A gente vai concentrar toda a demanda que a gente tem no futuro no Açu, na planta do Açu”.
Entre muitas fontes, inclusive do governo capixaba, da Codesa e de entidades ligadas ao setor, a iminente mudança de rota nos planos da Technip causou surpresa. Na verdade, a surpresa é parcial, já que não é a primeira vez que a saída da empresa do Estado é alvo de especulações. O que surpreende agora é o corpo que a notícia vem tomando, sem o devido esclarecimento de fontes oficiais. Ninguém confirma, mas tampouco descarta o burburinho criado.
A empresa, procurada pela coluna na tarde desta terça-feira (4), informou que só irá se manifestar nesta quarta (5), quando vai esclarecer se fica ou deixa o Espírito Santo e quais são os seus planos para o futuro.
Independentemente dos detalhes que serão dados pela Technip, o que é certo, conforme apurou a coluna, é que a notícia não será positiva para o Estado e que as decisões da multinacional poderão ter vários efeitos sobre a economia local.
A preocupação sobre o que vai acontecer nos próximos meses na planta capixaba não é em vão. Afinal, trata-se de uma operação que representa empregos, desenvolvimento de tecnologia e inovação, arrecadação de impostos para os governos estadual e municipal, receita para a Codesa e movimentação da cadeia de fornecedores.
A EMPRESA
A Technip ocupa uma área do Porto de Vitória de quase 90 mil metros quadrados (m²) e tem mais 1.000 empregados diretos. Responde por cerca de 90% dos embarques de tubos flexíveis que são usados pela Petrobras em campos petrolíferos e representa 15% da receita anual da Codesa. Além disso, a multinacional está entre as empresas que mais recolhem tributos em Vitória. Dessa forma, a desmobilização da unidade capixaba é péssima notícia para o Estado.
No mundo, a TechnipFMC está presente em quase 50 países da Europa, Américas do Norte e do Sul, Ásia, Oriente Médio, Oceania e África, e conta com cerca de 37 mil funcionários.
O QUE PESA NA DECISÃO
Nos bastidores, entre os motivos que pesaram para as decisões dos novos rumos que deverão ser anunciados nesta semana pela empresa estão a crise do petróleo e a instabilidade jurídica que a Technip enfrenta com o contrato de arrendamento no Porto de Vitória.
Nos últimos meses, a Technip e a Codesa vinham negociando o contrato do espaço que a companhia ocupa. Como a coluna publicou no início deste ano, o documento de uso da área venceu em 26 de janeiro, e a multinacional entrou na Justiça solicitando a permanência no local, o que foi concedido.
Desde então, as partes vinham estudando a melhor saída para solucionar essa questão de forma legal e que contemplasse um acordo de mais curto prazo, já que a Codesa está em processo de desestatização e não seria interessante firmar um compromisso de décadas. Paralelamente a isso, porém, a matriz francesa vinha pressionando os executivos da unidade capixaba para encerrar de alguma forma a precariedade da relação com a Codesa, já que não existia um instrumento jurídico formal robusto capaz de garantir a permanência da Technip no local.
“Além do grande desconforto da matriz na França, há o assédio do Porto de Açu, que vem oferecendo várias vantagens, inclusive com discussões junto a integrantes da Secretaria da Fazenda do Rio. É uma situação bem difícil e que torna cada vez menos provável a permanência da empresa aqui”, revelou uma fonte.
ATUALIZAÇÃO
No início da tarde desta quarta-feira (05), a TechnipFMC enviou um posicionamento para a coluna e confirmou que a empresa vai encerrar sua produção de tubos flexíveis no Espírito Santo. Para conferir a atualização deste conteúdo e o esclarecimento da companhia é só clicar aqui.