A Bacia do Espírito Santo foi onde a exploração e produção de petróleo e gás teve seu início no Estado. As primeiras extrações em terra (onshore) remontam ao final da década de 1960. Já em mar (offshore), o registro da primeira produção de óleo em águas rasas é de 1978.
Até os anos 2000, a Bacia do Espírito Santo era por aqui a estrela nesse setor. Até que novas descobertas aconteceram na porção capixaba da Bacia de Campos, na região que passou a ser denominada Parque das Baleias.
Aliás, essa área no litoral Sul foi considerada uma nova província petrolífera, especialmente com a descoberta do pré-sal, o que veio a tirar de certa forma o brilho da bacia localizada no centro-norte do Estado.
Agora, passados alguns anos sem muito destaque, a expectativa é que a Bacia do Espírito Santo volte a ter protagonismo, tanto pela atuação de novos players em terra e mar quanto pelo início da perfuração, pela Petrobras, do primeiro poço no bloco ES-M-669, localizado em águas profundas, aproximadamente na altura do município de Vitória.
A largada da nova campanha exploratória da Petrobras foi dada no último dia 6, quando a companhia iniciou a perfuração do poço que, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), foi denominado 1-BRSA-1379D-ESS e perfurado em lâmina d’água (profundidade) de 2.366 metros.
Conforme informações do site especializado Petróleo Hoje, "a estatal pretende chegar ao pré-sal do Espírito Santo por meio da perfuração no prospecto de Monai, que está localizado neste bloco. Os resultados do poço pioneiro serão decisivos para que se possa avaliar a exploração de outras concessões próximas, no caso, os blocos ES-M-596, ES-M-598, ES-M-671, ES-M-673 e ES-M-743".
A depender dos resultados e do possível sucesso exploratório, as atividades petrolíferas podem se intensificar nessa área, contribuindo para incrementar a produção no Estado, hoje em declínio, e criar mais oportunidades para o setor.
Na visão do ex-secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia e hoje presidente da Energy Platform (EnP), Márcio Félix, essa é uma oportunidade de se fazer uma grande descoberta em mar na Bacia do Espírito Santo.
"Pré-sal na Bacia do ES pode ser o início de uma nova era do offshore capixaba, com novo crescimento da produção", vislumbra.
Félix lembra que recentemente a Petrobras colocou em seu programa de desinvestimentos várias áreas offshore da Bacia do Espírito Santo, mas não incluiu o bloco ES-M-669. Para ele, esse pode ser um indicativo de que a empresa enxerga oportunidades para a área.
"Perfurar um poço é uma sinalização de uma boa possibilidade. Mas, claro, ainda é pássaro voando. Nos próximos meses, acredito que cerca de dois a três, é que podemos ter mais clareza. E aí, a depender dos resultados, tem todo o processo de comunicar a ANP e seguir os trâmites. Mas podemos dizer que essa perfuração é um fato relevante"
Somado ao potencial de uma nova descoberta petrolífera na costa capixaba, com a perfuração do poço, Félix destaca que o processo de desinvestimento da Petrobras em campos onshore e offshore, a chegada de companhias ao Estado, além do interesse de novos players, contribuem para resgatar o protagonismo que a Bacia do Espírito Santo teve lá atrás.
Empresas como Imetame, Exxon, Equinor, Cnooc e a própria EnP estão atentas e aproveitando oportunidades que se abrem, especialmente a partir da saída da Petrobras de diversos negócios no Espírito Santo. Para Márcio Félix, o onshore capixaba começará uma nova história a partir do ciclo da Petrobras que se encerra.
O engenheiro, que trabalhou por anos na estatal, diz que há um otimismo entre os atores do segmento que veem oportunidades em diversos nichos dessa cadeia, desde a exploração e produção de petróleo e gás, passando pelo tratamento e refino desses produtos até possibilidades de reforço na infraestrutura, com conexões das malhas de gasodutos submarinos entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. "Há oportunidades em todo o sistema energético. Estamos animados!"