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Terra e mar

Produção de petróleo e gás do ES em 2020 é a menor da última década

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, no ano passado, foram produzidos em média por dia 286 mil barris de óleo equivalente, quase 15% a menos do que em 2019

Publicado em 03 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

03 fev 2021 às 02:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Plataforma Cidade de Anchieta opera no Parque das Baleias, Litoral Sul do ES
Plataforma Cidade de Anchieta opera no Parque das Baleias, Litoral Sul do ES Crédito: Stéferson Faria/Agência Petrobras
A produção de petróleo e gás em terra e mar no Espírito Santo em 2020 foi a menor da última década, conforme  levantamento feito pela coluna a partir dos dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nesta terça-feira (2).  A entidade apresentou, por meio do Boletim de Produção, os números relativos ao mês de dezembro, bem como trouxe informações consolidadas sobre o desempenho do país nessa área no ano passado. 
Em 2020, o Espírito Santo teve uma extração média diária de 286,6 mil barris de óleo equivalente (boe), que considera o volume de petróleo e gás. A quantidade é quase 15% inferior à registrada em 2019, quando o Estado contabilizou 333,4 mil boe por dia. O dado reforça o movimento de queda na atividade petrolífera capixaba, que desde o início de 2017 vem apresentando recuo na produção, conforme é possível visualizar no gráfico abaixo. 
O ano de 2016 foi, de acordo com a série histórica do Boletim de Produção da ANP iniciada em 2010, o que apresentou as melhores marcas para o Espírito Santo. Nesse ano, a produção média diária de barris de óleo equivalente chegou a 460 mil. O melhor desempenho para um mês, entretanto, foi em novembro de 2015, ocasião em que a produção onshore e offshore somadas atingiram a média diária de 520 mil boe. 
Outro indicador que mostra como o Espírito Santo perdeu espaço no quesito extração de petróleo é quando comparamos a participação capixaba no bolo total. Em 2016, a produção feita no Estado representava 15,7% da nacional, em 2020, esse percentual caiu para 8,4%, o que coloca o Espírito Santo como terceiro no ranking geral, ficando atrás de Rio de Janeiro (79,3%)  e São Paulo (9,1%).
Os resultados do Espírito Santo em 2020 vão na contramão do que aconteceu no Brasil, que viu sua produção de petróleo crescer 5,5% e a de gás avançar 4,1%, em ambos os casos na comparação com 2019. Ao todo, o Brasil produziu 1,365 bilhão de barris de óleo equivalente, ou seja, uma média diária de 3,7 milhões de boe/d. A maior parte desse volume foi proveniente dos campos do pré-sal, que representam em média 68,6% da produção nacional.
Os destaques foram os campos de Tupi, Búzios e Sapinhoá, todos na Bacia de Santos. O quarto maior campo produtor de petróleo do país é Jubarte, localizado no Litoral Sul capixaba. 
O desempenho da atividade extrativa do Espírito Santo está relacionado ao fato de os campos petrolíferos locais estarem com a característica de campos maduros, que são aqueles com a produção em declínio após um longo tempo em atividade. Além disso, com a pandemia do novo coronavírus, várias plataformas reduziram ou até mesmo interromperam suas operações. 
Mesmo com a queda significativa do volume de óleo e gás extraído em terra e mar capixaba nos últimos anos, o Estado continua relevante nesta indústria. Mas o movimento de declínio da produção deve soar como um alerta para o futuro. Afinal, isso afeta diretamente a arrecadação de royalties e participações especiais. 
Muitas administrações públicas continuam dependentes dos recursos vindos dessa fonte energética.  Portanto, buscar saídas antes de o dinheiro parar de jorrar de vez é determinante para que não haja desequilíbrio das contas bem como a população fique desassistida. 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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