A produção de petróleo e gás em terra e mar no Espírito Santo em 2020 foi a menor da última década, conforme levantamento feito pela coluna a partir dos dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nesta terça-feira (2). A entidade apresentou, por meio do Boletim de Produção, os números relativos ao mês de dezembro, bem como trouxe informações consolidadas sobre o desempenho do país nessa área no ano passado.
Em 2020, o Espírito Santo teve uma extração média diária de 286,6 mil barris de óleo equivalente (boe), que considera o volume de petróleo e gás. A quantidade é quase 15% inferior à registrada em 2019, quando o Estado contabilizou 333,4 mil boe por dia. O dado reforça o movimento de queda na atividade petrolífera capixaba, que desde o início de 2017 vem apresentando recuo na produção, conforme é possível visualizar no gráfico abaixo.
O ano de 2016 foi, de acordo com a série histórica do Boletim de Produção da ANP iniciada em 2010, o que apresentou as melhores marcas para o Espírito Santo. Nesse ano, a produção média diária de barris de óleo equivalente chegou a 460 mil. O melhor desempenho para um mês, entretanto, foi em novembro de 2015, ocasião em que a produção onshore e offshore somadas atingiram a média diária de 520 mil boe.
Outro indicador que mostra como o Espírito Santo perdeu espaço no quesito extração de petróleo é quando comparamos a participação capixaba no bolo total. Em 2016, a produção feita no Estado representava 15,7% da nacional, em 2020, esse percentual caiu para 8,4%, o que coloca o Espírito Santo como terceiro no ranking geral, ficando atrás de Rio de Janeiro (79,3%) e São Paulo (9,1%).
Os resultados do Espírito Santo em 2020 vão na contramão do que aconteceu no Brasil, que viu sua produção de petróleo crescer 5,5% e a de gás avançar 4,1%, em ambos os casos na comparação com 2019. Ao todo, o Brasil produziu 1,365 bilhão de barris de óleo equivalente, ou seja, uma média diária de 3,7 milhões de boe/d. A maior parte desse volume foi proveniente dos campos do pré-sal, que representam em média 68,6% da produção nacional.
Os destaques foram os campos de Tupi, Búzios e Sapinhoá, todos na Bacia de Santos. O quarto maior campo produtor de petróleo do país é Jubarte, localizado no Litoral Sul capixaba.
O desempenho da atividade extrativa do Espírito Santo está relacionado ao fato de os campos petrolíferos locais estarem com a característica de campos maduros, que são aqueles com a produção em declínio após um longo tempo em atividade. Além disso, com a pandemia do novo coronavírus, várias plataformas reduziram ou até mesmo interromperam suas operações.
Mesmo com a queda significativa do volume de óleo e gás extraído em terra e mar capixaba nos últimos anos, o Estado continua relevante nesta indústria. Mas o movimento de declínio da produção deve soar como um alerta para o futuro. Afinal, isso afeta diretamente a arrecadação de royalties e participações especiais.
Muitas administrações públicas continuam dependentes dos recursos vindos dessa fonte energética. Portanto, buscar saídas antes de o dinheiro parar de jorrar de vez é determinante para que não haja desequilíbrio das contas bem como a população fique desassistida.