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Futuro incerto

Economia está sem imunidade não é de hoje. Coronavírus só agrava o quadro

Impactos do cenário global para a economia do Espírito Santo é significativo. Cautela com gastos públicos deve ser ainda maior

Publicado em 14 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

14 mar 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Pandemia de coronavírus traz ainda mais incertezas para a economia Crédito: vlad - stock.adobe.com
A desaceleração global já está contratada. A recessão em alguns países é dada como certa por diversos especialistas. A última semana - com o avanço do coronavírus, a “guerra de preços” do petróleo e o pânico nos mercados - mostrou que a economia no mundo está comprometida em 2020.
Aqui no Brasil, a economia está comprometida não é de hoje. São seis anos de fraco desempenho e de elevado desemprego, uma das piores faces da crise. Sair dessa situação neste momento torna o desafio ainda maior, assim como é maior a incredulidade de que seremos capazes de crescer, mesmo que a base seja o pibinho de 1,1% registrado em 2019.
Para nós no Espírito Santo, que somos um dos Estados do Brasil com maior abertura para o comércio exterior e temos ainda grande volume de receitas vindas do petróleo, o impacto pode ser mais avassalador. Tudo vai depender do tempo que esse cenário vai durar.
Já há previsões do próprio governo capixaba de que a arrecadação com royalties e Participações Especiais no Espírito Santo pode cair neste ano de R$ 947 milhões a R$ 1,3 bilhão, conforme fechar o preço médio do barril do petróleo.
Sem contar que a indústria, que teve o pior resultado do país no ano passado, deve novamente ter um desempenho decepcionante. A redução pela demanda por commodities, como minério, petróleo, celulose e aço, é inevitável com a China e o mundo produzindo menos.
Nesta semana, a coluna conversou com o governador Renato Casagrande (PSB) em seu gabinete sobre o cenário posto até o momento. O chefe do Executivo se mostrou preocupado com os desdobramentos causados pela pandemia do coronavírus e avaliou que 2020 será um ano mais difícil do que foi 2019. Garantiu, entretanto, que mesmo com a potencial frustração de receitas, o Estado será capaz de atravessar o ano sem desestabilizar seus serviços prestados à população e as contas públicas.
As dúvidas sobre o futuro da economia acontecem justamente em um momento em que o governo do Estado acabou de conceder reajuste real de 12% - que serão divididos em 2020, 2021 e 2022 - aos profissionais da segurança pública, o que vai implicar em gastos de R$ 957 milhões na soma dos próximos quatro anos. Por ano, a partir de 2023, a previsão de aumento com essa despesa é de aproximadamente R$ 395 milhões, valor que não inclui a inflação.
Casagrande sustentou que a elevação dos gastos com pessoal não abala “de jeito nenhum” o equilíbrio fiscal capixaba e a nota A do Tesouro Nacional. Também frisou que a decisão foi sólida do ponto de vista orçamentário.
Mesmo que o governador esteja seguro ao afirmar que o reajuste não compromete o caixa público, qualquer decisão que eleve os gastos com custeio e pessoal neste momento é temerária diante de tamanha incerteza que ronda o cenário econômico.
Aliás, o aumento de gastos com a folha de pagamento, dado o histórico de como a máquina pública no país de modo geral está inchada, é sempre motivo para acender o alerta. Agora, os holofotes devem ser ainda maiores.
Governador do Espírito Santo Renato Casagrande Crédito: Hélio Filho/Secom

O que o governador Casagrande disse sobre:

Cenário
"Em 2020, nós continuamos com problemas graves na atividade industrial, e ainda estamos tendo que lidar com chuvas muito intensas, que exigem gastos do governo. Estamos tendo que conviver também com coronavírus e agora com a crise do petróleo.”

Ano mais difícil
“Pelo início do ano de 2020, a economia será mais difícil do que foi em 2019. Será mais difícil porque o efeito do coronavírus é real. Não é só um efeito passageiro. Acho que o petróleo pode ser uma crise mais rápida em termos de preço, mas não de produção nossa. O início deste ano está sendo de frustração. Pode ser que nós nos recuperemos no decorrer do ano, mas será um ano difícil para o Espírito Santo.”

Perda de R$ 1 bi de royalties
“É um valor muito significativo para um ano. É lógico que a nossa expectativa é para que os países se ajustem e o valor (do barril) volte a um patamar razoável e equilibrado, de US$ 50 a US$ 60. Mas se perdermos R$ 1 bilhão, isso não afeta a nossa nota A do Tesouro (Nacional). Nós lá em 2013 perdemos (recursos com) o Fundap e mantivemos a nota A.”

Contingenciamento
“Se o ambiente continuar (instável) dessa forma, talvez terei que ter um decreto mais restrito da programação financeira e talvez terei que fazer uma ampliação do nível de contingenciamento do orçamento. Em último caso, até mudar a lei orçamentária se a gente sentir que o cenário exige."

Reajuste na segurança
“Lógico que não me arrependo (de ter concedido). A situação já era delicada com o coronavírus. O que teve de novidades (de quando tomei a decisão) foi o petróleo. Nós fizemos uma coisa muito pé no chão, com as medidas tomadas, como reforma da Previdência. Temos uma decisão responsável e que dá estabilidade à sociedade capixaba. Foi uma decisão sólida na área fiscal, equilibrada, responsável e que fechou a ferida de 2017.”

Sérgio Moro

Renato Casagrande

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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