Banco de fomento do Espírito Santo, o Bandes recebeu nesta semana a nota AA da agência internacional de classificação de risco Fitch Ratings. O resultado é referente à moeda nacional numa perspectiva de longo prazo e sinaliza que a instituição capixaba tem qualidade de crédito muito alta. Pela escala da Fitch, há 21 tipos de posição, que vão do “triplo A” (AAA), melhor nota possível, até D, a pior delas.
A avaliação, feita pela primeira vez na história do banco - que tem 53 anos de mercado -, abre caminho para o Bandes captar recursos junto a organismos financeiros externos que oferecem condições mais interessantes de juros e prazo. Até este ano, a entidade nunca havia recorrido a bancos internacionais para tomar crédito.
Em 2020, esse tipo de operação está acontecendo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em função da pandemia, conforme a coluna publicou em primeira mão em julho. Mas captar recursos lá fora não é tão simples assim. A operação em questão está diretamente relacionada à excepcionalidade da situação causada pela crise do novo coronavírus.
Para ter acesso a recursos de instituições como Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Fonplata, Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e o próprio BID existem várias exigências, entre elas uma boa avaliação de uma agência de classificação de risco.
Para o diretor-presidente do Bandes, Maurício Duque, a conquista da nota vai antecipar alguns planos do banco. De acordo com ele, conversas já haviam sindo iniciadas com organismos internacionais, mas agora elas ganham fôlego.
"Para conseguir crédito, o banco precisa ter um algo a mais, precisa ter uma avaliação mínima de risco. Nós conseguimos e isso abre várias portas. Nossas perspectivas são para em 2021 e 2022 captarmos recursos baratos para oferecer para o capixaba.”"
O dinheiro a ser financiado lá fora tem como público-alvo as micro, pequenas e médias empresas do Estado. Outro direcionamento dos recursos será para aumentar a capacidade de financiamento de prefeituras capixabas, sendo a área do saneamento um dos setores a ser trabalhado.
“O banco tem que fazer papel de banco. Captar bem de um lado e emprestar bem de outro. E temos que fazer isso com uma quantidade elevada de recursos para ajudar no desenvolvimento do Estado. Afinal, somos um banco de fomento. Outro ponto é que enquanto eu estiver na instituição não entra um centavo vindo do governo, ou seja, de recursos públicos. Então, temos que buscar boas fontes para oferecer opções para os clientes”, defendeu Duque.
JUSTIFICATIVA
Em seu relatório, a Fitch Ratings justificou que a classificação dada ao Bandes levou em consideração alguns fatores, a exemplo das mudanças que a entidade vem adotando desde o ano passado, como direcionar operações de crédito para apoiar negócios nos segmentos da indústria, serviços e no setor público.
“Dados preliminares mostram que a reestruturação realizada em 2019 abriu caminho para melhorias, com qualidade dos ativos e rentabilidade em tendência de alta no primeiro semestre de 2020, apesar dos efeitos da pandemia do coronavírus na economia local”, informa em seu relatório.
Outro ponto favorável para a conquista do rating AA foi a situação fiscal do Espírito Santo, uma vez que o governo estadual como maior acionista do banco tem nota A do Tesouro Nacional na capacidade de pagamento. “Essa forte flexibilidade financeira destaca a capacidade do Estado de apoiar a instituição”, avalia a Fitch.
Sem dúvidas, a classificação AA abre caminhos para o Bandes. Agora, é aguardar para que o banco aproveite da melhor forma essa conquista e garanta que ela chegue ao capixaba e, sobretudo, contribua para o desenvolvimento do Estado.