Segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro deste ano, há no Brasil um déficit habitacional de 6,2 milhões de moradias. Esse número expressa a quantidade famílias com algum tipo de precariedade em sua habitação. No Espírito Santo, são mais de 100 mil famílias nessa situação, segundo estudos do Instituto Jones dos Santos Neves.
O principal problema enfrentado pelas famílias brasileiras de baixa renda no acesso a moradia é, principalmente, o impacto que o aluguel tem no seu orçamento familiar (3,2 milhões de unidades), seguido pelas habitações precárias (1,6 milhões) e a coabitação (1,2 milhões).
É importante registrar que esses dados têm um perfil muito bem definido. A maior parte das pessoas afetadas pelo déficit é composta por mulheres negras de baixa renda, moradoras das cidades do nordeste e sudeste do Brasil. A Região Norte tem proporcionalmente a maior parte de sua população em situação de déficit habitacional.
A moradia é um elemento indispensável para a vida em suas diversas formas. É onde se realiza o cuidado, o descanso, a sociabilidade com família e amigos, sendo relacionada diretamente com a qualidade de vida e capacidade de desenvolvimento pessoal.
Tem também impacto direto na saúde, a depender da acessibilidade, ventilação e iluminação natural, conforto térmico e acústico, entre outros aspectos da edificação. Ressaltamos, porém, que a moradia não se limita ao espaço da casa, mas se estende para a cidade, com os equipamentos públicos, saneamento, mobilidade, entre outros.
Algo tão fundamental para a qualidade de vida, saúde e dignidade como a casa apresentar tantas barreiras para o acesso de milhões de brasileiros deve ser encarado como um relevante problema para o desenvolvimento social e econômico do país. Por esse motivo, reforçamos o papel previsto na Constituição da União, Estados e Municípios de
promover programas de construção e melhorias de habitações.
Para enfrentar esse quadro, propomos que, além dos programas de construção de novas edificações, seja implementada nos municípios a Lei 11.888/08 que garante o direito de famílias de baixa renda à assistência técnica (ATHIS) para projeto e execução de suas moradias. Também propomos a articulação entre a política habitacional e de saúde, assim como a utilização de imóveis ociosos para promoção de moradias.