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Desenvolvimento

Propostas para construção do novo normal

Novos tempos exigem que relação entre governantes e população seja instrumento de efetiva transformação. Para tanto é fundamental sinceridade de propósitos e transparência nas ações de quem se legitimou pelo voto

Públicado em 

19 nov 2020 às 04:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Falta de saneamento e moradia adequada compõem a pobreza infantil no Estado
Falta de saneamento e moradia adequada compõem a pobreza infantil no Estado Crédito: Agência Brasil
Reconhecer que é tarefa complexa refletir a experiência que ainda está sendo vivida da pandemia da Covid-19 é um primeiro passo fundamental para se pensar e agir no sentido do tecer um novo normal. Reconhecer que qualquer transformação social só se efetiva quando mudanças de modelos mentais ocorrem nas pessoas é o segundo passo necessário.
O terceiro passo é a difícil tarefa de transformar pensamentos e palavras em ações. Essas terão força coletiva se começarem por atitudes de cada pessoa diante do que tem em seus armários no banheiro, no quarto, na cozinha. O que ali está estocado para uso pessoal e familiar pode estar disponível para a maioria da população e para a própria família em suas gerações futuras?
O quarto passo é cada família indagar que bens e serviços são essenciais e se aquilo que para ela é fundamental está disponível para toda a vizinhança — da mais próxima fisicamente (rua, bairro, cidade) até aquela da humanidade como um todo. Reconhecer o que falta para a pessoa, para sua família, para seus vizinhos próximos e mais remotos leva a um quinto passo: o confronto entre o que é reconhecido como essencial e o que é dado pela Mãe Terra. Balanço entre o pouco que é essencial para a vida das pessoas enquanto iguais em sua humanidade e a abundância do que nos cerca no mundo é o sexto passo para a construção do novo normal que pode ser desejado desde já, antes mesmo da vacina contra a Covid-19 estar disponível.
O sétimo passo é adotar o território enquanto local privilegiado para relações de afeto entre pessoas e delas com o meio ambiente. Essas precisam se concretizar na forma e no conteúdo de como a comunidade põe em prática o produzir, o transportar e o consumir bens, serviços e conhecimento.
O passo seguinte é a mobilização de recursos humanos, financeiros e políticos para que o que é público seja posto a serviço da maioria. Para tanto é necessário, ainda que sem ser suficiente, uma mudança de atitude por parte de quem está eleito para exercer mandatos municipais. Prefeitos e vereadores precisam reconhecer que os tempos são outros e que a pandemia da Covid-19 nada mais faz do que escancarar o que falta para que as pessoas se sintam moradoras das cidades.
A todas as pessoas — mesmo a aquelas que moram em bairros mais privilegiados, falta espaços — calçadas, praças, onde a convivência social seja segura para mulheres, crianças, idosos e pessoas portadoras de deficiências circulem, se encontrem, brinquem. Para a maioria das pessoas — com destaque para as que moram em favelas e bairros mais pobres, falta alimentação saudável, habitação, saneamento básico, serviços de saúde, educação, cultura, transporte e segurança. Falta inclusão digital fundamental para que o suprimento dessas carências acumuladas ao longo da história se dê de forma contemporânea ao que hoje é possível graças à internet.
Ou seja, o nono passo é o reconhecimento por quem assume mandato para o período 2021-24 que toda a população de seu município está sem cidade.
Enfrentar questões históricas e as mais recentes como a da exclusão digital, certamente se torna mais difícil pela já sabida falta de recursos dos erários municipais. Finanças debilitadas até mesmo para cumprir parcela reduzida das promessas de campanha. Por isso é necessária a mobilização de forças sociais. Força da sociedade que precisa ser chamada para complementar recursos humanos e financeiros das prefeituras que operam cada vez mais sob regime de cobertor curto: para gastar mais no que é fundamental precisa cortar despesas no que é importante.
A boa notícia da experiência recente com a pandemia é que a sociedade, principalmente em favelas e bairros mais pobres, tem demonstrado resiliência e solidariedade. Construir relação de confiança com resilientes e solidários pode ser uma alternativa para mandatários municipais a partir de 2021. A outra é a pobreza da mesmice de sempre: inércia diante de questões cruciais para um tecido social mais justo sob a justificativa de que a crise afetou as receitas.
O novo normal exige ação política que torne a relação entre governantes e a população instrumento de efetiva transformação na paisagem e na humanidade das cidades. Para tanto é fundamental sinceridade de propósitos e transparência nas ações de quem se legitimou pelo voto popular.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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