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Eleições 2022

Esquerda e direita têm projetos de nação que precisam ser explicados em 2022

Explicitar esses projetos para que os eleitores compreendam no que se diferenciam pode ser uma boa agenda para os meios de comunicação e para a academia

Públicado em 

13 jan 2022 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Palácio do Planalto
Palácio do Planalto Crédito: André Dusek|Estadão
Mais do que a simples passagem de página do calendário gregoriano, o ano já começado tem significados diferentes para a sociedade brasileira. Às necessárias ações de combate continuado à Covid 19 e seus efeitos na saúde das pessoas e no funcionamento da sociedade e da economia como um todo, some-se em 2022 a importância de ampliar a agenda de debates públicos sobre qual economia/sociedade é desejada.
Ampliação necessária para que a oportunidade democrática do voto popular nas eleições deste ano deixe de ser mera formalidade à qual parcela da população precisa se submeter. A conquista do direito de eleger representantes para ocuparem chefia dos executivos e cadeiras nos parlamentos federal e estaduais precisa ser constantemente legitimada para evitar manobras de forças a quem que a democracia só interessa como mero exercício de consolidar e ampliar privilégios.
Há que se explicitar que existem dois projetos de sociedade distintos por trás dos segmentos que representam interesses ideologicamente identificados com a direita, por um lado, ou com a esquerda, por outro. Direita que mesmo quando reconhece perversidades do sistema político e econômico vigente se contenta com a justificativa de que ‘sempre foi assim’. Esquerda que, no mínimo, adota como princípio que ‘sempre foi assim e precisa mudar em nome de uma sociedade mais justa e fraterna’.
O projeto neoliberal - que representa o ideário de direita desde os que se colocam como centro até os sectários terraplanistas, escravagistas, misóginos – e o de forças progressistas, já foram testados no Brasil nos últimos 40 anos. Seja sob o regime militar no governo Figueiredo, seja nos governos eleitos de CollorFernando Henrique Cardoso e Jair Bolsonaro, o princípio de tudo em nome dos interesses do mercado financeiro prevaleceu, em maior ou menor grau, no conteúdos das políticas públicas.
A privataria em nome de uma eficiência ainda por ser provada de grandes empresas crescentemente multinacionais; o equilíbrio fiscal enquanto dogma que só atende ao interesse do capital improdutivo; o descaso para com o setor produtivo nacional, principalmente aquele composto por micro, pequenas e médios empreendimentos no campo e na cidade; a desconsideração para com os passivos sociais, culturais e ambientais que se avolumaram ao longo da história do país são algumas características comuns a esses quatro governos, além do ilegitimamente exercido por Temer.
O projeto progressista – que em maior ou menor grau representa visões de esquerda – posto em prática nos governos Lula e Dilma teve duas características que merecem destaque. Em primeiro lugar, respeito aos princípios estabelecidos na Constituição de 1988. Tudo e o pouco feito na busca de resgate de dívidas sociais históricas; de crescimento centrado em empresas nacionais; e de valorização do papel no Brasil no cenário internacional, nada mais foi do que transformar em políticas públicas o que estava estabelecido na Constituição.
Algumas dessas políticas tiveram reconhecimento internacional mesmo de segmentos conservadores representados pelo Banco Mundial, como foi o caso do programa Bolsa Família. Outras - como o apoio com financiamento, assistência técnica e tecnológica a micro, pequenas e médias empresas na cidade e à agricultura familiar no campo - foram contestadas por quem tem o mercado como um altar a ser venerado acima de tudo e de todos.
Outras ainda – como acordos internacionais que valorizaram o papel do Brasil enquanto potencia econômica e política mundial – foram objeto de reações diversas por parte de forças externas e internas adeptas do alinhamento automático aos interesses estadudinenses. Iniciativas como a dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul); a do G-20; a participação ativa nos debates sobre energia nuclear; o apoio a empresas nacionais no avanço tecnológico e na conquista de mercados internacionais, dentre outras, deram ao Brasil visibilidade internacional e criaram condições para que ele tivesse inserção diferenciada na geopolítica mundial.
Que o processo eleitoral em 2022 seja pautado pelo debate entre projetos de ação. Projetos que tanto a direita quanto a esquerda têm. Explicitá-los para que os eleitores compreendam no que se diferenciam pode ser uma boa agenda para os meios de comunicação e para a academia. O embate de ideias e de resultados efetivos que as mesmas têm quando colocadas em prática é importante na democracia e fundamental neste momento da vida do Brasil e de sua gente.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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